Veja como evitar cair em golpes durante a crise do coronavírus

Bandidos se aproveitam do isolamento para fraudar cartões e roubar senhas e dados pessoais

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São Paulo

Em meio à pandemia do novo coronavírus, criminosos têm aproveitado o momento de isolamento social para aplicar golpes em quem está em quarentena.

Os métodos não são novos. Os bandidos usam a chamada engenharia social, armadilhas criadas para obter dados, senhas e informações dos clientes por meio da ‘lábia’, ou ainda levá-los a fazer pagamentos em benefício próprio.

“A mistura de medo e a confusão trazida pelo excesso de informações criam o ambiente perfeito para a ação dos golpistas”, diz Walter de Faria, diretor-adjunto de Operações da Febraban (federação dos bancos).

O golpe do falso motoboy segue como um dos mais ativos, diz o executivo. Nele, criminosos entram em contato com as vítimas se fazendo passar pelo banco para comunicar a realização de transações suspeitas com o cartão de crédito.

Os criminosos informam que um motoboy será enviado para recolher o cartão supostamente clonado, a fim de que sejam feitas análises para o cancelamento de compras.

“Bancos nunca enviam funcionários para recolher cartões. Quando o cliente for descartar um cartão, é importante inutilizar o chip para impedir a realização de novas compras”, alerta Faria.

Outro crime é o golpe dos precatórios. O advogado Márcio Calheiros, do CPP (Centro do Professorado Paulista), diz que criminosos se aproveitam de que os credores são, geralmente, idosos, e podem estar sozinhos em casa na pandemia.

“Os bandidos entram em contato se identificando como advogado ou representante da categoria, pedindo a transferência de valores para liberação do valor depositado de precatórios.”

O advogado diz que a cobrança é indevida, já que não são aplicadas taxas para levantamento de um valor depositado judicialmente.

“Antes de fazer qualquer transferência, consulte seu advogado ou entidade responsável”, alerta Calheiros.

Fique atento ao usar canais digitais e internet banking

Clientes têm sido avisados sobre a importância do uso dos canais digitais, por meio do internet banking e dos aplicativos de bancos, para evitar aglomerações. Por meio deles, é possível realizar operações bancárias e ter acesso a diversos produtos e serviços.

Contudo, é importante redobrar os cuidados de segurança. No ano passado, a Febraban informou que, em 70% dos golpes, as próprias vítimas dão a senha do banco aos golpistas.

“Desconsidere qualquer informação que não esteja nos canais oficiais. Em caso de dúvida, interrompa a operação e entre em contato com o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) para confirmar se aquilo é real”, diz Walter de Faria, da Febraban.

Principais casos | Saiba identificar

  • Com a pandemia do novo coronavírus, criminosos estão se aproveitando do isolamento de grande parte da população para aplicar golpes

  • Os estelionatários entram em contato por telefone, WhatsApp, email e correspondência, fingindo representar empresas, instituições ou conhecidos das vítimas

Golpe do motoboy

Como funciona

  • Criminoso entra em contato com a vítima fingindo ser do banco para comunicar ‘transações suspeitas’ feitas com o cartão de crédito do cliente

  • Geralmente, são pedidas informações como senhas e dados pessoais

  • O falso atendente diz que um motoboy será enviado até a casa da vítima para recolher o cartão falsamente clonado

  • O criminoso pode chegar até a pedir para cortar o cartão ao meio, para inutilizar a tarja magnética, antes de entregar ao motoboy

  • O chip, no entanto, permanece intacto, o que permite que a quadrilha faça compras com o cartão

Como evitar

  • A Febraban diz que os bancos nunca enviam funcionários para recolher cartões

  • Quando o cliente for descartar um cartão, é importante inutilizar o chip, para impedir que novas compras sejam feitas

Outras dicas

  • O banco não liga nem encaminha links por SMS, WhatsApp ou email pedindo atualização dos dados, sincronização de token ou desbloqueio de cartão

  • Não clique em nenhum link. Digite, no navegador, o endereço eletrônico do banco ou da loja em que pretende realizar a transação ou compra

  • O banco não entra em contato para dizer que sua conta será bloqueada por falta de atualização cadastral

Golpe do precatório

  • Criminosos entram em contato com o credor geralmente se identificando como advogado, representante de entidades de classe (ex: CPP e Apeoesp) ou até como representante do Tribunal de Justiça do Estado

  • Os bandidos pedem a transferência de quantias adiantadas para liberação do valor depositado de precatórios

Como evitar

  • Advogados explicam que não existem ‘custas’ do processo para se levantar valor depositado judicialmente

  • Custas processuais ocorrem ao ser iniciada determinada ação judicial, não ao seu final, como é o caso do estágio de quitação dos precatórios

  • Quando o estado faz o pagamento, deposita o valor no processo, em conta vinculada

  • O advogado é intimado e irá verificar se valor está completo

  • Depois disso, o juiz ainda precisará autorizar a liberação, o que será feito por meio de alvará de levantamento

  • Consulte sempre seu advogado ou entidade responsável

Contatos

CPP (Centro do Professorado Paulista)
(11) 3340-0500 ou por email: juridico@cpp.org.br

Apeoesp
(11) 3350-6070 / 3350-6104 / 3350-6228

Atenção

  • Os honorários do advogado que o credor contrata para acompanhar o processo é algo previsto em lei

  • Não confundir com cobranças indevidas, que são aplicadas pelos criminosos

Fontes: advogados Márcio Calheiros, do CPP, e Marcelo Harada, sócio do Harada Advogados e Febraban

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