Endividamento atinge 10 milhões de famílias

Total de endividados equivale a 62,4% das famílias brasileiras

Patrícia Pasquini
São Paulo

Um total de 10.076.172 famílias brasileiras estava endividada no mês de mar­ço, segundo pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgada nesta quinta-feira (4). O número equivale a 62,4% dos entrevistados.

O estudo mostra um au­mento de 0,9% no número de famílias endividadas em relação a fe­vereiro, que registrou 9.926.568 famílias nesta condição (61,5%). Também há alta de 1,2% se compara­do a março do ano passado, quando o indicador alcançou 61,2% (9.797.186 famílias).

Na comparação mensal, é a terceira alta consecutiva e o maior patamar desde setem­bro de 2015, quando
9.241.099 famílias estavam endividadas (63,5%).

Consumidores enfrentam fila no SCPC para verificar a situação dos seus CPF. Pessoas endividadas
Consumidores enfrentam fila no SCPC para verificar a situação dos seus CPF. Pessoas endividadas - 01.06.2012 - Fábio Braga/Folhapress

Para a economista respon­sável pela pesquisa Marianne Hanson, os gastos extras de início de ano colaboram para o endividamento. “Há de­manda maior por emprésti­mos e financiamentos. É preciso planejar estas opera­ções dentro do orçamento familiar, com prazo e crédito mais adequados. Geralmen­te, as pessoas contratam es­tas operações pensando apenas no mês de pagamen­to da primeira parcela, sem olhar para o futuro”, alerta.

O estudo também mediu o número de famílias com dí­vidas ou contas em atraso. O percentual aumentou ante fevereiro, passando de 23,1% (3.678.767 famílias) para 23,4% (3.735.156).

Sobe o total de endividamento familiar entre 2018 e 2019
Sobe o total de endividamento familiar entre 2018 e 2019 - Arte Agora

Por outro lado, diminuiu o total de famílias inadim­plentes na comparação com março de 2018, de 25,2% (3.954.924 famílias) para 23,4% (3.735.156) .

Já as famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívi­das em atraso e que, portan­to, permaneceriam inadim­plentes, aumentaram de 9,2% (1.526.736), em fevereiro, para 9,4% (1.550.872), em março deste ano.

Em março de 2018, o índice havia al­cançado 10% (1.621.735). “A perda do emprego dificul­ta o cenário”, afirma ela.

Cartão é vilão

O cartão de crédito foi apontado como o principal vilão por 78% das famílias endividadas, seguido por
carnês, para 14,4%, e, em terceiro, por financiamento de carro, para 10%.

A pesquisa ouve mensal­mente 18 mil famílias nos dez primeiros dias úteis.

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