Obra não evitou enchente na periferia de São Paulo

Moradores da Vila Itaim, na zona leste paulistana, voltaram a conviver com ruas alagadas nesta semana

Fábio Munhoz

Dois meses após o governo estadual entregar uma obra de R$ 117 milhões para amenizar os problemas com as enchentes na Vila Itaim (zona leste), moradores da região voltaram a sofrer com alagamentos. 
O bairro, que fica na região do Jardim Pantanal, é afetado anualmente por enchentes há pelo menos uma década, dizem moradores.

Na tarde desta terça (11), as ruas da Vila Itaim ainda estavam debaixo d'água, por causa da chuva que castigou a capital na véspera. A região é localizada na várzea do Rio Tietê, o que aumenta a possibilidade de cheias.

A obra entregue pelo governo de João Doria (PSDB) é conhecida como pôlder, que consiste em um sistema composto por um muro de contenção, um reservatório, dutos e bombas. O objetivo é armazenar a água e lançá-la de volta ao rio após o pico de vazão, evitando transbordamentos. 

Ainda com as casas cheias --na tarde de ontem a água estava a cerca de um metro de altura-- moradores contabilizam prejuízos. Além de móveis, eletrodomésticos e até um carro, a comerciante Marli Almeida da Silva, 58, perdeu mercadorias em sua loja de vestidos de noivas. 

"Só consegui salvar algumas peças que já estavam encomendadas", afirma. Ela estima que terá de gastar cerca de R$ 30 mil para recuperar tudo.

A moradora reclama do descaso. Ela diz ter aberto protocolo na Defesa Civil do município na manhã desta terça, mas que ninguém apareceu por lá. Vizinhos ouvidos pelo Agora também afirmam não ter recebido visitas por parte de agentes do poder público.

A diarista Cristiane Santana Lopes, 46, diz que depende da solidariedade de pessoas da região que não tiveram as casas afetadas pela água. "Perdemos até os mantimentos básicos. Estou tendo que comer na casa de vizinhos."

Apesar de dizer os alagamentos são recorrentes na região, a diarista Clarice Vaz, 38, avalia que, desta vez, a enchente foi pior do que nos anos anteriores. "Pelo que me lembro, a última vez que teve uma parecida foi em 2009." 

Respostas

O Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), ligado ao governo João Doria (PSDB), diz que a obra do pôlder entregue em dezembro do ano passado "possibilitou o amortecimento de parte das cheias que atingiram o bairro na zona leste paulista".

O órgão também atribui as enchentes ao "alto volume de chuva". "De acordo com o CGE [Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas], de 1º de fevereiro até esta terça-feira (11), já choveu 215,5 mm, ou seja, cerca de 99,4% da média para o todo o mês".

A Subprefeitura São Miguel Paulista, gestão Bruno Covas (PSDB) diz ter intensificado a limpeza de córregos, galeria e boca de lobo no fim de 2019. A prefeitura promete iniciar, no período de estiagem, a construção no córrego Lajeado e diz que está "em andamento o sistema de drenagem nas ruas Tite de Lemos e Tietê".

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