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Caneladas do Vitão: Desmorolândia

História do juiz ladrão fantasiado de herói

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São Paulo

"Truco, marreco." Enquanto jogava com comparsas, o juiz ladrão teve a ideia de embaralhar as cartas por baixo dos panos, levar o blefe para o campeonato nacional e mudar a história.

Mesmo sem o talento interpretativo de Otávio Augusto nem criativo de Ugo Giorgetti, o canastrão lembrou da antológica cena de "Boleiros" em que o juiz ladrão "Virgílio" inventou penalidade. E, apesar da ruindade do time beneficiado, o gaveteiro mandou repetir a cobrança fruto de uma falta marcada sem provas. Ele estava correto em sua convicção de que, não só não seria questionado, seria aplaudido cinicamente por parcela do público, da mídia e dos circenses tribunais esportivos.

O juiz ladrão teve êxito. Mudou o regulamento da competição com ela em andamento e, sem vergonha na cara, eliminou o líder, então tetracampeão e favorito ao penta. A estratégia foi combinada com o técnico e a equipe de comunicação da equipe adversária com a cara deslavada.
De forma imoral e ilegal, vazou para todos a preleção do líder, abusando completamente de sua função. Como a lei não é nem nunca foi para todos, os beneficiados, não só os adversários de campeonato, adoraram. O circo ajudou grande elenco. Programas policialescos sobre a imoral eliminação da equipe líder foram feitos tratando o juiz ladrão como ídolo e herói, uma inversão de valores jamais vista na história deste país. Teve até bloco de Carnaval com o nome do juiz ladrão.

Com o apoio da TV, da mídia e das torcidas adversárias, indiferentes à justiça, o juiz ladrão conseguiu o seu objetivo e deu o título de campeão ao rival escolhido. O juiz ladrão não soube parar no falso papel de herói.

Sem limites e escandalosamente desprovido de valores, o juiz ladrão resolveu virar diretor jurídico do time campeão. O puxa-saquismo chegou ao ponto de a sua "conje" falar que enxergava o marido e o presidente do time que ele fez campeão como a mesma pessoa.

A "conje" tinha razão. Ou quase. O presidente do clube é mais inteligente. E, percebendo que o juiz ladrão queria a sua cadeira, tratou de expulsá-lo do gabinete. Com o apoio violento de sua cúmplice torcida organizada.

Esta é uma crônica de ficção. Qualquer semelhança com a vida real não é coincidência... É complacência, anuência e subserviência dolosa de grande elenco a uma farsa canalha.

Nelson Rodrigues: "No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte".

Vitor Guedes

44 anos, é ZL, jornalista formado e pós-graduado pela Universidade Metodista de São Paulo, comentarista esportivo, equilibrado e pai do Basílio.

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