Descrição de chapéu Opinião

Caneladas do Vitão: Epicentro do futebol distópico

A 'revolução' da grande irmã CBF

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São Paulo

"Um pouco de ar, por favor." A grande irmã CBF gritou em defesa dos clubes, sufocados pelas dívidas e pressionados pela ambição de cumprir integralmente contratados independentemente de milhares de efeitos colaterais sepulcrais.

Sem poder contar com a certeza de fidelidade na cumplicidade criminosa de todas as esferas do poder público do Oiapoque ao Chuí, a solução foi recorrer "a filha do reverendo" influente e demais figurões ilustres da bancada da bola e listar possíveis palcos para o circo não parar de girar sobre o fétido odor dos respeitáveis cadáveres.

O importante é ter jogo, insistiu a CBF, sem encontrar qualquer resistência nem oposição nos clubes! "Lutando na Espanha" ou em Volta Redonda, passando alguns "dias na Birmânia" ou em Saquarema, tem que entregar integralmente os jogos vendidos e os campeonatos contratados para os patrocinadores e para as emissoras detentoras dos direitos.

Ora, se o público consome "Rock in Rio Lisboa" e não fala nada, não vamos aceitar que se intrometam e atrapalhem a logística do futebol, gritou a CBF! Nem precisava. Poderia ter cochichado que, ainda assim, seria a voz única e, pois, a mais alta. E continuou: se precisar, a gente leva a capital do Acre para Mesquita, Marília para Cariacica, São Paulo para Bacaxá, Sorocaba e Mirassol para Volta Redonda... E ainda temos, para qualquer emergência, Macaé.

"A revolução dos bichos", planejada e em ininterrupta execução para dar um giro de 360 graus e manter as relações de poder como sempre foram, foi adaptada. Eis o novo normal: Urubu, Porco, Peixe, Gavião, Azulão, Macaca, Pantera, Galo, Raposa, Coelho, Leão, Tigre, Gralha Azul, Cobra Coral, Timbu, Carcará, Jacaré, Tubarão e todos os bichos já foram escalados e, sem necessidade de condução coercitiva, intimidados a obedecer o protocolo totalitário da Grande Irmã CBF.

A economia de quem vive e lucra de matar a imagem e a decência do futebol brasileiro está salva! "Como morrem os pobres e outros ensaios" são outros problemas. Dos outros! "1984" é fichinha! Quem sobreviver ao putrefato presente tem um longo passado pela frente! Todos ligados nos milhões em ações.

Pra frente, Brasil?!

Esta é uma obra de ficção tristemente inspirada na realidade e homenageia títulos de George Orwell: "Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário".

Vitor Guedes

44 anos, é ZL, jornalista formado e pós-graduado pela Universidade Metodista de São Paulo, comentarista esportivo, equilibrado e pai do Basílio.

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