Famalicão é a nova sensação de Portugal

Modesto clube com legião de brasileiros lidera o Nacional em início irresistível

Luca Castilho
São Paulo

Porto. Benfica. Porto. Porto. Benfica. Benfica. O Campeonato Português tem se resumido a essa dupla hegemonia nos últimos 17 anos, com 10 títulos dos Dragões e 7 dos Encarnados —o atual campeão. Isso sem citar o Sporting, tradicional clube de Lisboa, que, antes do revezamento, chegou ao posto mais alto do torneio na temporada 2001-2002.

O último time que quebrou essa trinca foi o Boavista, vencedor na disputa da competição 2000-01. E, antes, somente o Belenenses havia rompido com o predomínio em 1945–46.

O brasileiro Anderson Oliveira e o meia Ruben Lameiras comemoram a vitória do Famalicão sobre o tradicional Sporting em confronto do Campeonato Português
O brasileiro Anderson Oliveira e o meia Ruben Lameiras comemoram a vitória do Famalicão sobre o tradicional Sporting em confronto do Campeonato Português - Patricia de Melo Moreira - 23.set.19/AFP

Porém na atual temporada, um time parece despontar como um forte concorrente aos Três Grandes e pode repetir o inesperado. Trata-se do modesto Famalicão. O tradicional clube sediado na cidade de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, atualmente é o líder da competição, com 19 pontos, um a mais que Benfica e Porto, vice e terceiro colocado, respectivamente, e a sete do Vitória de Guimarães.

Fundado em 1931 e com apenas sete participações na elite nacional, o clube português foi vice-campeão da segunda divisão na temporada passada e figura na primeira depois de 25 anos —a última vez havia sido em 1993-1994.

“Sabemos que o Campeonato Português tem uma distância entre os grandes e os pequenos, então nós entramos no campeonato mesmo para ganhar o primeiro jogo. Nós pensávamos e pensamos assim, e dessa forma tem fluído coisas boas. Não esperávamos chegar na liderança, mas, já que estamos, vamos fazer o possível para ficar com ela até o fim do campeonato”, afirma o goleiro brasileiro Rafael Defendi, em entrevista ao Agora.

O arqueiro da equipe faz parte de uma legião composta por 11 brasileiros. Além dele, o clube possui para a meta Vaná, Gabriel e Vitor Caetano; os zagueiros Lionn e Patrick; os meias Riccieli, João Neto e Gustavo Assunção; e Anderson Silva e Walterson para o ataque.

“Isso é bom para nós brasileiros, que estamos sempre juntos, com a mesma cultura e as mesmas brincadeiras. É um grupo ambicioso, que tem vontade de sempre estar lá em cima ganhando os jogos. Não é pelo número de brasileiros, mas estamos todos remando para o mesmo lado, o das vitórias”, reforça Defendi.

Até o momento, são seis vitórias —incluindo uma sobre o Sporting em pleno estádio de Alvalade— e um empate em sete jogos.

“Um início de temporada surpreendente para o Famalicão. Não estávamos à espera desse começo tão brilhante quanto está sendo e acho que com os pés no chão podemos continuar fazendo algo bonito no campeonato!”, diz Lionn.

"Levamos isso com bastante calma. A filosofia que a gente segue é ir de jogo em jogo. Não pensamos além da próxima partida. Nosso objetivo é sempre ganhar o seguinte", ressalta o meia Gustavo Assunção.

Ainda é cedo para cravar e muita coisa pode acontecer nas 27 rodadas restantes, mas a campanha do clube, que se orgulha por ter conquistado a Segunda Liga por duas ocasiões —1977/78 e 1987/88— até o momento é impressionante.

O Famalicão enfrenta o Porto neste domingo (27), às 14h30 (de Brasília).

Clube atrai torcida com lanche e pizza

 Torcida do Famalicão tem lotado o Estádio Municipal 22 de Junho
Torcida do Famalicão tem lotado o Estádio Municipal 22 de Junho - Famalicão/Divulgação

O tradicional clube de 88 anos passa por uma rápida e eficiente revitalização. Desde o meio do ano passado, com a transformação do Famalicão em SAD (sociedade anônima desportiva) e a compra de 51% de suas ações pela empresa Quantum Pacific Group, do empresário israelense Idan Foder, o Famalicão passou a ser gerenciado de uma outra forma e recebeu uma nova filosofia de trabalho.

Com uma relação muito próxima ao superagente português Jorge Mendes, que cuida da carreira de Cristiano Ronaldo, o diretor executivo Miguel Ribeiro possui tem um grande papel na nova fase do clube. 

Entre seus feitos, um é criar situações para chamar a torcida em dias mais frios ou horários alternativos para os jogos no estádio Municipal 22 de Junho, que tem capacidade para 5.300 pessoas. Nessas ocasiões, o clube distribui gratuitamente pizzas e sanduíches com chouriço para a torcida.

"A diretoria fez um trabalho fantástico em poder dar as pizzas, os sanduíches, isso tudo para motivar eles para virem às partidas. Isso também tem feito crescer o número de adeptos e os nossos jogos estão sempre de casa cheia", comenta o goleiro Rafael Defendi.

"Existe uma ótima relação entre as pessoas do clube e os torcedores. Eles ajudam a gente, e vice-versa, e todos remamos para a mesma direção. A distribuição de pizzas e sanduíches foi uma excelente iniciativa do clube", reforça o meia Gustavo Assunção.

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