Descrição de chapéu Opinião

Otavio Valle: E agora, Fernando Diniz?

São Paulo

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?

Logo que soube da contratação de Fernando Diniz como o novo técnico do São Paulo, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o magistral poema de Carlos Drummond de Andrade, cujo trecho reproduzo acima. E por quê? Porque chegou a vez de Diniz. Agora é com ele.

No São Paulo, Fernando Diniz ganha sua grande chance para mostrar sua categoria como treinador
No São Paulo, Fernando Diniz ganha sua grande chance para mostrar sua categoria como treinador - Rubens Chiri - 27.set.19/saopaulofc.net

Desde o contundente 7 a 1 sofrido pelo Brasil na Copa de 2014, a profissão de técnico brasileiro ficou na berlinda. Não somente o vergonhoso placar assustou a comunidade da bola. Mas o desempenho patético do time, comandado justamente por um ex-campeão mundial, colocou em xeque o trabalho dos treinadores do país. A completa ausência de opções táticas do time de Felipão, como já havia sido também nas Copas anteriores, com Dunga (2010) e Parreira (2006), lançou luz ao pífio trabalho dos treineiros brasucas.

Houve, é verdade, uma caça às bruxas, que em nada elevou a discussão em torno do problema. Ensaiou-se neste caldeirão uma nova geração, que, de novo, apenas teve o discurso, mas que não trouxe a magia desejada aos gramados. 

De prático, a CBF criou uma escolinha, que agora credencia técnicos. Mas o que vemos de prático são dezenas de times jogando da mesma maneira: o famoso futebol reativo.

Repetidamente tem se falado de Diniz como uma nova via a este futebol. Depois de passar por experiências que não tiveram meio, começo e fim, ele chega a um São Paulo com grande e estrelado elenco. É sua chance. E agora, Diniz?

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