Descrição de chapéu Opinião

Na Sobra: Cheiro estranho no ar

Após mudar treinadores, Bayern de Munique e Corinthians voltam a jogar bem

São Paulo

Jogador derruba técnico? É uma questão delicada, que sempre vem à tona quando um profissional é demitido e logo em seguida o time, surpreendentemente, ganha uma injeção de ânimo. Sem provas é leviano apontar que isso ocorra, mas dois bons exemplos do fim de semana dão margem para teorias da conspiração.

Na última coluna, eu apontei que as demissões de Fábio Carille e Niko Kovac, respectivamente, de Corinthians e Bayern de Munique, tinham muito mais coisas no ar do que simplesmente o desempenho em campo. A troca de comando soou estranho, afinal os dois treinadores vinham de campanhas com títulos. Era nítida, porém, a insatisfação dos atletas, no caso do clube alemão com a maneira de atuar, e, no Corinthians, os jogadores estavam fartos das declarações do chefe de que faltavam peças para realizar determinadas funções táticas.

 O artilheiro Lewandowski comemora um dos seus dois gols
Com o faro do artilheiro Lewandowski, o Bayern de Munique atropelou o Borussia Dortmund e reencontrou a paz com os torcedores; saída do técnico croata Niko Kovac deixou o elenco mais solto - Seven Hoppe/AFP

Como em um passe de mágica, o clube bávaro e o Timão tiveram desempenhos excelentes. Em casa, o Bayern atuou leve e solto e conseguiu duas vitórias convincentes. Na primeira, pela Liga dos Campeões, a equipe derrotou por 2 a 0 o Olympiacos-GRE, na última quarta (6), e se classificou com duas rodadas de antecedência às oitavas de final. No último sábado (9), a torcida esqueceu que o time não vinha bem e festejou a goleada por 4 a 0 sobre o Borussia Dortmund.

Nos mesmos dias, o ressurgimento do Timão. Primeiro, os corintianos, que vinham de oito partidas sem vitória no Brasileirão, ganharam do Fortaleza, por 3 a 2, dois gols do argentino Boselli, que, muito antes da queda de Carille, criticou abertamente o esquema defensivo do ex-treinador do Alvinegro. Não houve um triunfo no duelo seguinte, mas, ao segurar o Palmeiras no Dérbi, os corintianos acabaram de vez com o sonho do título do rival.


Essa súbita melhora faz pensar, mas não podemos afirmar que as quedas foram orquestradas pelos jogadores. Porém, é nítido que eles deram uma forcinha para deixar os ex-comandantes desempregados.
 

Luís André Rosa

47 anos, jornalista, escreve sobre esportes desde 1996. É torcedor fanático do Barcelona e não abre mão do futebol ofensivo. E-mail: luis.rosa@grupofolha.com.br

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