Descrição de chapéu Centro Vigilante Agora

Falta de informação prejudica visita ao Memorial da América Latina

Havia ainda distribuição de panfletos desatualizados

Leonardo Zvarlick
São Paulo

Ainda que receba manutenção constante, problemas estruturais e falta de informação afetam negativamente a experiência de quem frequenta o Memorial da América Latina. O Vigilante Agora esteve no complexo, localizado na Barra Funda (zona oeste), na última terça-feira e constatou que centro cultural não informa o visitante sobre sua programação.

Ao todo, cinco construções abrigam eventos e exposições, mas o visitante só fica sabendo do que acontece pela internet. Painéis de informações espalhados pelas duas praças estavam vazios, e o cartaz de um evento realizado em outubro passado confundia quem passava. Havia ainda distribuição de panfletos desatualizados.

Detalhe de escultura de mão da área  externa do Memorial da América Latina
Detalhe de escultura de mão da área externa do Memorial da América Latina - Eduardo Knapp/Folhapress

O Memorial oferece serviço de internet wi-fi aos visitantes. Porém, a conexão não tem alcance nem estabilidade. O sinal só funcionava bem dentro da biblioteca.

Segundo o atual diretor-presidente do Memorial, Jorge Damião, cerca de metade do orçamento da Fundação de R$ 18 milhões é destinado à manutenção do espaço. As praças e edifícios são limpos diariamente, e canteiros têm grama aparada com constância. Ainda assim, é comum entrar no banheiro e não encontrar material de higiene. Na ocasião da visita, nenhum dos dois sanitários públicos tinha toalhas de mão, sabonete ou papel higiênico. Em algumas cabines, as portas não fechavam e vasos sanitários estavam sem tampa ou assento.

Há ainda falhas em alguns pontos do piso tátil na Praça Cívica. No acesso ao banheiro, um remendo de cimento de mais de um metro se sobrepõe ao piso que auxilia a locomoção de deficientes visuais. No mesmo pátio, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência passava por reformas.

Na Praça da Sombra, em frente ao prédio da administração, dois bebedouros estavam quebrados. A poucos metros dali, o prédio destinado ao funcionamento de uma lanchonete estava abandonado. Para beber água, o visitante precisa atravessar a avenida Auro Soares de Moura Andrade ou cruzar a passarela que une os dois pátios do Memorial -esta, parcialmente obstruída por palmeiras.

Os holofotes que iluminam os prédios do complexo à noite também foram alvo de depredações. Alguns tiveram grade de proteção removida e foram destruídos.

Revitalização começou há 3 meses, diz presidente do complexo

O diretor-presidente do Memorial da América Latina, Jorge Damião, afirmou à reportagem que o processo de revitalização estrutural do complexo foi iniciado há cerca de três meses. “Nos debruçamos nisso desde que assumimos. Havia muito mato, goteiras e a pintura dos portões e da passarela estava totalmente gasta. A maior parte disso já foi solucionada”, afirmou. Damião disse ainda que mais da metade do orçamento do Memorial (R$ 18 milhões) é destinado à manutenção do espaço.

Recentemente foi lançado também um edital para reativação do restaurante. “É inadmissível que um espaço de visitação pública não tenha uma lanchonete”, disse. A fundação também solicitou ao Condephaat uma autorização para realizar reformas necessárias na Galeria Marta Traba, para que volte a funcionar em um mês - todos os edifícios do complexo são tombados.

A assessoria de imprensa do Memorial da América Latina afirmou, por meio de nota, que está desenvolvendo uma nova identidade visual para os painéis externos com informações e que até o fim do mês, o problema será solucionado.

Sobre a condição dos banheiros, a nota culpa a ação de vândalos. “Toalhas de mão, papel higiênico, sabonete e tampas e assentos são repostos diariamente. Infelizmente, apesar da vigilância, sofremos furtos diários”, disse. Os danos na iluminação são atribuídos à mesma causa.

Sobre a faixa de piso tátil coberta por cimento, a Fundação se comprometeu a reparar o trecho até a última sexta-feira.

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