Polícia registra BO de difamação contra modelo que acusa Neymar

Najila Trindade teria feito declarações contra o trabalho da corporação

Alfredo Henrique
São Paulo

A Polícia Civil registrou um boletim de difamação, na noite desta terça-feira (11), contra Najila Trindade Mendes de Souza, 26 anos, por conta de declarações feitas pela modelo à imprensa sobre os trabalhos da corporação, no caso em que ela acusa o jogador Neymar de estupro.

A modelo Najila Trindade Mendes de Souza, que acusa o jogador Neymar de estupro, durante entrevista ao SBT - SBT/Reprodução

Segundo boletim de ocorrência, feito pela 6ª Delegacia Seccional de Santo Amaro, o delegado José Fernando Bessa teve ciência das declarações da modelo, ao assistir entrevista concedida por Najila ao jornalista Roberto Cabrini, do SBT. 

A modelo afirmou ao entrevistador que “a polícia [Civil] é comprada” após ser questionada sobre o suposto furto de um tablet, no apartamento de Najila, onde haveria um vídeo que prova a acusação que ela faz contra o atleta. 

O jornalista afirma, em um trecho da entrevista, que a polícia encontrou digitais somente da modelo e da empregada dela no apartamento supostamente arrombado. Na sequência, Najila afirma: “É, mas a polícia está comprada né? Ou não? Ou eu estou louca?”. 

Por conta dessa declaração, o delegado da 6ª Seccional registrou o boletim de ocorrência contra a modelo. 

“Desta feita, analisando o teor das declarações de Najila à imprensa, sobretudo quando questionada acerca das digitais colhidas na porta de seu apartamento, verifico ter sido maculada não só a honra da Polícia CIvil como instituição [...], mas, sobretudo a honra objetiva dos servidores lotados no IIRGD [Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt], responsáveis pela coleta do material papidatiloscópico [digitais]”, diz trecho do documento policial. 

O delegado acrescenta no boletim que um ofício será encaminhado ao instituto que coletou as digitais no local do suposto furto. “Caso sintam-se atingidos em sua honra, apresentem eventuais representações [contra a modelo]”, diz trecho.  

Em nota o Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de SP) e a Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP) repudiam as declarações da modelo. 

“Antes de mais nada, reafirmamos nossa solidariedade a toda e qualquer vítima de violência de gênero e o compromisso da Polícia Civil do Estado de SP em combater com rigor este tipo de crime. Todavia, não podemos tolerar que ilações sem qualquer fundamento venham a macular a honra de policiais e a imagem de toda uma instituição”, diz trecho do pronunciamento público.

Resposta

O advogado criminalista Cosme Araújo, de Ilhéus (BA), novo defensor designado pela modelo, falou por telefone com a reportagem afirmando ser ainda “pré-candidato” a defensor da modelo. Por conta disso, disse que não pode se manifestar sobre o caso, como advogado de Najila. 

No entanto, ele ponderou, pessoalmente como criminalista, que a modelo em nenhum momento afirmou nada contra a Polícia CIvil. “Ela não os acusou [policiais durante entrevista à TV] de crime. Se analisar a matéria [entrevista ao SBT], ela não afirma nada, ela interroga. Só pratica o crime, quem pratica uma ação, ou ilação. Ela perguntou, então ‘eles foram comprados, né?’”, justificou. 

Araújo acrescentou que sua provável cliente está em depressão e que concedeu a entrevista sob efeito de medicamentos calmantes e antidepressivos. 

O advogado garantiu que, caso seja contratado, até segunda-feira (17) estará em São Paulo para representar a modelo. 

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.