Descrição de chapéu Zona Leste

Adegas atrás das grades se espalham pela zona leste de SP

Por moda e segurança, lojas contam apenas com uma pequena abertura entre barras de ferro

Elaine Granconato

Depois das hamburguerias artesanais e das barbearias vintages, a moda de empreendedores da zona leste são as adegas confinadas. É uma nova forma de venda de bebidas alcoólicas em um comércio fechado por grades.

Catharine Camargo Vanzuita, 21 anos, dona da Adega MG, na zona leste de São Paulo - Ronny Santos/Folhapress

A compra é entregue e o dinheiro recebido por uma pequena abertura entre barras de ferro.

A “jaula” garante a segurança dos donos e funcionários, uma vez que, além de cervejas e energéticos tradicionais, bebidas de alto custo são vendidas até altas horas da madrugada nos fins de semanas —há garrafas de uísque comercializadas por até R$ 1.500.

O curioso conceito aposta na simplificação e praticidade da venda, quase um sistema “drive thru”, segundo José Luiz Pavanello de Souza, 36 anos, que resolveu deixar de lado o ramo de aço para investir na Adega 77, inaugurada há três meses na Água Rasa.

“O pessoal percebeu que perde tempo na fila de um supermercado, sem falar que aqui encontra cerveja gelada”, afirmou. 

Com espaço acanhado, a adega tem aproximadamente 60 m² e é uma das maiores que o Agora visitou na última semana. Lá, o cliente pode levar a bebida para casa ou consumir pelos arredores ou na calçada.

É o que fez o cozinheiro Rogério Kenji, 23, ao voltar do restaurante onde trabalha no Butantã (zona oeste). 

“É bem mais rápido, sem falar que o preço é menor que em uma loja de conveniência”, disse ele, ao sair com dois engradados de cerveja gelada rumo à casa de amigos, onde assistiria a vitória do Brasil sobre a Argentina, pela semifinal da Copa América, na terça-feira passada (2).

O mesmo ocorre na Imperium Adega, no Tatuapé, divisa com Anália Franco, em que a maioria dos clientes faz a compra rápida. 

“A ideia é a pessoa consumir mais distante, até para não incomodar a vizinhança”, disse Cleber Rodrigues da Silva, o Binho, 32, um dos sócios do comércio aberto em dezembro de 2018.

Malandrão

Na onda dos combos, as adegas da zona leste da capital investem nos kits que incluem uísques, energéticos, cervejas e gelos de coco. Mas o campeão de vendas, segundo proprietários, é o “Malandrão”, um copo de 700 ml em que o cliente escolhe a bebida e os complementos —a variação vai de vodca pura a mistura de uísque com catuaba, com preços que variam de R$ 9,99 a R$ 40.

De quebra, o cliente ainda leva o copo de brinde, alguns de vidro outros em acrílico. “A gente prepara na hora”, disse Vinicius Pagoto, 23 anos, sobrinho e sócio do tio José Luiz Pavanello de Souza, na Adega 77.

Os dois são as únicas pessoas que trabalham na loja de bebidas. Assim como as demais visitadas pelo Agora, não há funcionários, o que ajuda a baratear os custos e, por consequência, os preços do que é vendido.

O “Malandrão” também é sucesso na Adega MG, que o dono Gabriel Garcia, 22, pretende ampliar, embora siga o mesmo conceito de um espaço mais enxuto e com grades. 

“Quero colocar umas mesas e cadeiras na calçada”, afirmou Garcia. Ele divide o comando com a mulher Catharine Camargo Vanzuita, 21, mãe de Miguel Garcia, 5, que dá nome ao local. 

As adegas atrás das grades vendem também essências e carvão usado para aquecer o fumo do cachimbo de água narguilé.

Na Adega MG, na Vila Formosa, tambores são colocados na calçada e são usados para quem compra bebida e usa o Narguilé.

Serviço de entrega

As adegas confinadas também têm serviço de entrega, inclusive alguns com aplicativos.

A Imperium Adega, do Tatuapé, vai além. Até espetinhos de carne, linguiça, frango, pão de alho e queijo são oferecidos aos clientes, segundo Dayana de Sousa Silva, 33 anos, sócia e cunhada de Cléber Rodrigues da Silva, o Binho.

As novas adegas são capitaneadas por famílias. Dayana, por exemplo, é casada com o impressor gráfico Diego Rodrigues da Silva, 31, irmão de Binho e também sócio na adega.

Para investir no ramo, o custo inicial gira em torno de R$ 40 mil, desde aluguel do imóvel até compra dos itens de consumo, inclusive na aquisição das geladeiras e freezers.

O frentista José Ubiracy da Silva, 34, do Tatuapé, é o novo consumidor desse tipo de adega. “O atendimento é bom e o preço melhor ainda”, afirma, ao contar que pagou R$ 10 por quatro latas de cerveja. “Em outro lugar, pagaria R$ 12 por duas”.

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