Polícia procura motorista de Porsche suspeito de atropelar e matar diarista

Condutor, que fugiu sem prestar socorro, foi condenado pelo mesmo crime, ocorrido em 2014

Alfredo Henrique
São Paulo

Uma diarista de 65 anos morreu após ser atropelada supostamente por um Porsche Panamera, no momento em que atravessava a faixa de pedestres, por volta das 6h desta sexta-feira (26), no cruzamento da rua Augusta com a alameda Franca, na região dos Jardins (região central da capital paulista).

Segundo a polícia, Fábio Alonso de Carvalho, 39 anos, está foragido. Ele é reincidente no crime, conforme consta no próprio boletim de ocorrência do atropelamento desta sexta-feira.

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, Carvalho foi condenado, em 13 de maio passado, a dois anos e oito meses de detenção, no regime semiaberto, por conta do atropelamento seguido de morte, em 2014, do motoboy Aroldo Pereira Oliveira, 30, no Itaim Bibi (zona oeste da capital paulista). Até a publicação desta reportagem, ele não havia sido localizado pela polícia. A defesa dele não foi encontrada pela reportagem. 

Segundo a sentença, Carvalho estava proibido de obter carteira de habilitação, ou conduzir qualquer veículo, pelo mesmo período. “Fica substituída a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direito, quais sejam, a) prestação de serviços à comunidade, por igual prazo e, b) prestação pecuniária no valor de 20 salários mínimos em favor de entidade pública ou privada com destinação social”, diz trecho da decisão da 13ª Vara Criminal.

Um morador de rua, 53 anos, testemunhou o atropelamento da diarista. Segundo ele disse à polícia, Audenilce Bernardina dos Santos atravessava a rua, com o semáforo fechado para veículos, quando o carro de luxo avançou em altíssima velocidade, atingindo a idosa. Ela foi projetada cerca de 15 metros, segundo boletim de ocorrência.

Policia na frente de flat na alameda Jaú, onde foi encontrado um Porsche suspeito de ter atropelado uma doméstica nos Jardins (região central de São Paulo) - Rubens Cavallari/Folhapress

Na sequência, o motorista desceu do carro, verificou o que havia acontecido, e fugiu com o Porsche pela Alameda Itu, sem prestar socorro. 

Audenilce chegou a ser encaminhada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu durante o trajeto. 

Câmeras de segurança registraram o crime, corroborando a versão da testemunha de que o carro estava em altíssima velocidade e que o motorista não prestou socorro à vítima. 

O carro do acusado foi encontrado na garagem de um flat na Alameda Jaú. Segundo a polícia, após o acidente o motorista deixou o veículo no local e fugiu. Foi constatado por investigadores que o Porsche está com a dianteira amassada. Policiais estavam no prédio na tarde desta sexta-feira.

Zero quilômetro, um Porsche Panamera custa R$ 560 mil.

"Estamos trabalhando para tentar prender o suspeito o quanto antes", afirmou o delegado Júlio César Geraldo, que confirmou que o motorista procurado é o mesmo que foi condenado pelo atropelamento de 2014.

A reportagem entrou em contato com 78º DP (Jardins) para obter mais informações sobre as investigações. Porém, nenhum responsável pelo caso falou com o Agora

O caso foi registrado como homicídio doloso (com intenção) e fuga de local de acidente. 

Porsche Panamera suspeito de ter atropleado uma doméstica nesta sexta-feira (26) nos Jardins, em São Paulo - Divulgação/Polícia Civil

Rotina 

Um dos três filhos de Audenilce, Fábio Cordeiro da Silva, 42, afirmou que a mãe fazia o trajeto, durante o qual foi atropelada, há cerca de 20 anos. “Ela trabalhava fazendo limpeza em casas nos Jardins e na Vila Olímpia [zona sul da capital paulista]”. 

A diarista se aposentou há cerca de dois anos, mas não conseguia ficar parada, ainda segundo Silva. Ela ia duas vezes por semana à casa de uma cliente, para onde não chegou nesta sexta por conta do atropelamento. 

Silva acrescentou que, no 78º DP, foi informado que, minutos após o atropelamento, uma mulher teria feito uma ligação à polícia afirmando que havia atropelado um morador de rua, no mesmo endereço em que a diarista foi atingida. “Isso é mentira, testemunhas reconheceram a foto do motorista, que é homem”. 

Ela ainda disse que, caso o condutor do carro de luxo tivesse parado para ajudar sua mãe, ela poderia ter tido chances de sobreviver. “O mais triste é saber que o cara atropelou minha mãe e fugiu sem ajudar”. 

Audenilce era viúva e deixa três filhos e quatro netos. 

A diarista Audenilce Bernardina dos Santos, 65 anos, morreu após ser atropelada por um Porsche Panamera, no momento em que atravessava a faixa de pedestres, por volta das 6h desta sexta-feira (26) na região dos Jardins (região central da capital paulista) - Arquivo pessoal

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