Descrição de chapéu Zona Leste

Centro para criança e adolescente fecha sem aviso em São Paulo

Unidade de Cidade Tiradentes foi fechada sem aviso, dizem pais de jovens

Leonardo Zvarick
São Paulo

Mães e pais de Cidade Tiradentes (zona leste) estão tendo dificuldades em sua rotina desde 1º de julho, quando a gestão Bruno Covas (PSDB) fechou sem aviso o CCA (Centro da Criança e do Adolescente) Barro Branco 1. Sem opção de onde deixar os filhos, eles têm que recorrer a amigos e parentes para poder trabalhar.

Pais e filhos se reúnem em frente ao CCA Barro Branco 1, em Cidade Tiradentes (zona leste), que foi fechado pela gestão Covas no dia 1º de julho; prefeitura diz que rescindiu contrato com entidade - Rubens Cavallari/Folhapress

"A gente, da periferia, depende desse tipo de serviço no dia a dia. A maioria não tem com quem deixar os filhos depois da escola", disse a operadora de telemarketing Selma Lins, 47 anos, que trabalha no Belém (zona leste) e tinha uma filha de 12 anos no CCA.

Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, com idade entre 6 e 15 anos, podem ser matriculados nos CCAs, vinculados à assistência social do município. No local, além de permanecerem por quatro horas diárias sob cuidados de responsáveis, participam de atividades culturais e esportivas, entre outras.

A unidade Barro Branco 1, que atendia cerca de 60 crianças, foi fechada no início do mês. Segundo pais e funcionários, não houve diálogo ou aviso à população que depende do serviço. "Aconteceu de um dia para o outro. Disseram só que continuariam dando cursos, mas que não ia mais ter ninguém cuidando das crianças durante o dia", disse Flávio Amaral, 39, pai de Bruno Gabriel Amaral, 12.

"Eu tive a sorte de tirar férias agora. Caso contrário, teria que pagar R$ 150 por mês para cuidarem do meu filho durante a tarde", disse o ajudante geral, que tem renda familiar de cerca de R$ 1.600. Ele já gasta R$ 200 com uma cuidadora para a outra filha, de 3 anos.

O gasto com alimentação também pesa no orçamento. "Eles tinham alimentação balanceada todo dia, era uma preocupação a menos", disse Selma. "Pode parecer pouco, mas qualquer gasto fora do previsto faz muita falta para nós".

Tristeza

A estudante Ayla Lins e Silva, 12 anos, sonha em ser jogadora de futebol quando adulta. No CCA Barro Branco 1, ela tinha uma rotina de treinos e recebia apoio no desenvolvimento dessa e outras aptidões.

"Ela está arrasada. Por não conseguir mais praticar esportes e por ter que se afastar dos amigos, com quem convivia diariamente", disse a mãe da menina, Selma Lins, 41 anos. "Infelizmente não temos dinheiro para pagar escolinha, e ela vai ter que parar os treinos até oferecerem algum serviço parecido", afirmou.

A família de Flávio Amaral, 39 anos, está em situação parecida. Desde que o centro foi fechado, seu filho Bruno Gabriel, 10, quase não saiu de casa, mesmo estando de férias. "Ele não se vê em outro lugar, pelo acolhimento e amizades que tinha depois de três anos frequentando o lugar", disse.

Na quinta-feira (10), a Prefeitura de São Paulo ofereceu às crianças vagas para cursos em u m CCInter (Centro de Convivência Intergeracional) próximo. Os pais e os filhos não foram receptivos à mudança.

"O modelo do CCA era muito bom para a gente. Nessa proposta, são cursos que ocorrem só em alguns dias da semana", disse Selma. "A gente tem uma deficiência muito grande de cultura no bairro. Não vai ser a mesma coisa".

Resposta

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, sob gestão Bruno Covas (PSDB), disse que o contrato com a organização da sociedade civil que administrava o CCA Barro Branco 1 foi rescindido em 29 de junho por conta de irregularidades encontradas na prestação de contas do serviço.

A secretaria também afirmou que "está unindo esforços para não afetar o atendimento aos atendidos", mas não disse se há previsão de reabertura da unidade ou encaminhamento das crianças matriculadas a outro CCA próximo ou serviço similar. 

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