Chá não faz milagre, mas previne e alivia as dores

Para ficar calmo ou manter o agito, saiba o que fazer antes de botar erva na fervura

São Paulo

Chá não faz milagre, mas pode ajudar a prevenir ou aliviar as dores de quem sofre com os mais variados males. Da infusão de água e plantas pode sair a calmaria ou o agito necessários para encarar o dia a dia.
Quem se aventura a jogar ervas na fervura deve saber, porém, que para tudo nessa vida há um limite.

“Não se deve passar de quatro xícaras por dia, independentemente do tipo de chá. O uso excessivo e abusivo pode ser perigoso”, afirma Gabriella Cilla, nutricionista clínica, funcional e esportiva.
Segundo Gabriella, além da quantidade, é preciso também cuidado para fugir de uma rotina de sabores.

“Algumas ervas têm benefícios e agem sobre determinados pontos do nosso corpo. [Mas] Nunca devem ser consumidos os mesmos chás todos os dias”, explica.

ilustração da matéria do viva bem sobre chás do dia 1º de dezembro
Arte Agora

A nutricionista dá algumas dicas para quem pretende começar bem esta semana. “Às segundas-feiras, uma erva com ação mais detox, como é a carqueja, que age mais no fígado”, diz. “Já na terça-feira, uma outra com ação mais diurética, como hibisco e gengibre. Diferentes ervas em diferentes dias podem ajudar na circulação”, afirma Gabriella.

Gerente de alimentação e nutrição do Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, Marta Duenhas afirma que chás devem ser usados sem fins médicos definidos. Todo benefício é seguido, porém, de alguns cuidados.

Marta explica que o chá mate, por exemplo, bastante comum na mesa da população, é estimulante cerebral, diurético e laxante suave. Mas, se for tomado em excesso, pode causar insônia, gastrite e taquicardia. Portanto, deve ir da xícara para a boca só até pouco antes do anoitecer, para evitar agitação indevida na hora de deitar na cama.

Segundo Marta, a erva cidreira tem um efeito contrário, melhorando a qualidade do sono, as dores de cabeça e combatendo os gases. Por outro lado, deixa sonolento quem abusa da dose de tranquilidade.

Tóxico

Especialista em gastroenterologia, hepatologia e médica do Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, Carolina Pimentel diz que é preciso estar atento ao que se toma. “Há uma série de plantas com maior risco de toxicidade, em especial renal e hepática. Já tivemos diversos relatos de pacientes que sugeriram problemas causados por chás comuns, como o verde, cáscara sagrada e cavalinha, até outros mais raros e que podem causar dano ainda maior ao fígado”, explica. 

Para quem está estressado, por exemplo, fica a dica: vá tomar um chazinho. Mas saiba qual usar, antes de botar para ferver (veja a lista de alguns dos mais comuns acima). “Não é porque vem de plantas que não faz mal! É preciso estar atento”, diz Carolina.

Ervas podem dar uma força para os idosos no dia a dia

Chá não é remédio nem deve ser considerado um, segundo especialistas, mas há indicações de plantas que podem trazer benefícios para grupos específicos, como é o caso dos idosos. Para outros, como gestantes e pessoas que fazem quimioterapia, por exemplo, exige mais cautela, sempre com acompanhamento médico e moderação.

A nutricionista Gabriella Cilla afirma que idosos podem se beneficiar de chá verde, por exemplo, que ajuda a melhorar a energia. Já o de hibisco tem efeito laxativo quando o corpo está inchado. A camomila é uma boa opção para quem sofre de depressão e sintomas gastrointestinais. O gengibre é recomendado para aqueles que sofrem com as dores reumáticas e também  musculares.

Outros chás menos comuns são indicados pela especialista em nutrição, como é o caso da canela de velho. “Tem ação analgésica, anti-inflamatória e antioxidante. Pode ser usada na prevenção de radicais livres. Ótima para artrite e artrose, para pessoas com doenças reumáticas”, afirma.

O mulungu entra na lista de chás recomendados por Gabriella. “Tem efeito calmante. É fácil de ser achado em lojas de produtos naturais e deve ser feito por meio de infusão”, diz. Mas a nutricionista faz um alerta e diz que nem toda dose serve para todos. “Há pacientes que respondem com uma colher de sopa e outros com cinco colheres”, fala. Chás devem estar associados à boa alimentação. 

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