Com atraso de três anos, obra de escola na zona sul de SP volta a ser paralisada

Colégio estadual deveria ter entrado em funcionamento em 2016

São Paulo

A obra do prédio da Escola Estadual Cidade Julia 2, região do Jardim Miriam, Cidade Ademar (zona sul), foi paralisada pela segunda vez em cinco anos. 

A unidade, prevista para atender 1.100 alunos do ensino básico fundamental 2 e médio, já era para estar em funcionamento desde o segundo semestre de 2016.

Moradores e comerciantes do entorno temem invasões ao prédio e que o local se transforme em depósito de lixo e descarte de entulho, situações vivenciadas em passado recente.

Obras da EE Cidade Julia 2, na região do Jardim Miriam (zona sul), foram paralisadas pela segunda vez em cinco anos; unidade deveria ter sido entregue no segundo semestre de 2016 para atender 1.110 alunos - Rivaldo Gomes/Folhapress

A obra, iniciada em abril de 2015, parou em agosto de 2016 por desistência da construtora, com apenas 28% do prédio pronto.

Até ser retomada em dezembro de 2018, os esqueletos de concreto viraram abrigos de pessoas em situação de rua. O lixo acumulado serviu para proliferação de ratos e baratas, além de mau cheiro, segundo vizinhos.

O gráfico Ivanildo de Oliveira Lemes, 49 anos, que mora em frente à futura escola - Rivaldo Gomes/Folhapress

O gráfico Ivanildo de Oliveira Lemes, 49 anos, que mora em frente à futura escola, lembra das 15 caçambas retiradas de entulho na época. "Era lixo que não acabava mais", afirma.

A situação só foi contornada com a retomada da obra, três meses depois do prazo prometido pela então gestão Márcio França (PSB).

A obra voltou a parar há dois meses, segundo moradores do bairro. Como na primeira vez, a empreiteira ganhadora da licitação desistiu do projeto, segundo a gestão João Doria (PSDB). 

Na manhã desta quarta-feira (11) não havia funcionários no local. Apenas um vigilante fazia a segurança da área pública.

A placa no terreno informa o custo de R$ 3,9 milhões, além do início da obra, pela Bellacon Construtora, em 7 de dezembro de 2018. O término estava previsto para 210 dias.

"Faz uns dois meses que ninguém mais trabalha aí", afirma a vizinha Maria Ivani da Silva, 51. "Aos poucos, os foram levando máquinas e ferramentas", diz o comerciante Luis Evaldo da Silva, 56.

Segundo vizinhos, o prédio, de três andares e 17 salas de aula, está com azulejo, piso, gesso e pintura, partes elétrica e hidráulica.

Resposta

Leandro Damy, presidente da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), ligada à Secretária Estadual da Educação, da gestão João Doria (PSDB), afirma que a obra da Escola Estadual Cidade Julia 2 foi paralisada no último dia 5 pela empresa contratada --apesar de vizinhos dizerem que faz dois meses--, sem qualquer justificativa.

"Informalmente, já sabemos que a construtora abandonou a obra, problema que tem sido comum para administrarmos na gestão pública", afirma. "Só descobrimos durante vistoria no dia 5", diz Damy, que notificou a empresa.

A escola, afirma, está com 60% da obra pronta e entraria na fase de acabamento. 

Segundo explica Damy, para contratar uma nova empreiteira por licitação, há necessidade de rescisão do contrato atual. 

Procurado por telefone e e-mail, a Bellacon Construtora e Incorporadora não se manifestou.

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