Polícia prende PM suspeito de participar da morte de adolescente em SP

Sargento de São Bernardo do Campo se apresentou à Corregedoria, segundo delegado que cuida do caso

São Paulo

Um sargento da Polícia Militar, suspeito de participar da morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, 15 anos, na madrugada de domingo (14), em Americanópolis (zona sul de São Paulo), foi preso nesta quarta-feira (17). O policial faz parte do Baep (Batalhão de Ações Especiais) de São Bernardo do Campo (ABC), segundo a Polícia Civil.

A prisão temporária do PM por 30 dias foi decretada pela Justiça nesta quarta-feira (17), segundo delegado Fábio Pinheiro, diretor do DHPP (Departamento de Homicídios à Pessoa), e a SSP (Secretaria de Segurança Pública), da gestão João Doria (PSDB). O sargento estaria prestando depoimento sobre a sua suposta participação na morte do adolescente, na noite desta quarta.

"O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa solicitou a prisão de um policial militar suspeito de participação no crime e a Justiça decretou. A equipe policial cumpriu o mandado nesta quarta-feira (17). A Corregedoria da PM acompanha. As investigações prosseguem pelo DHPP para esclarecimento de todas as circunstâncias relativas ao caso", diz a pasta, em nota.

Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o caso está sob segredo de Justiça.

Jovem raptado e morto zona sul
Guilherme Silva Guedes, 15 anos, foi encontrado morto na zona sul da capital paulista, segunda-feira (15), após ser abordado por dois suspeitosr - Arquivo Pessoal

De acordo com o delegado, o sargento Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, se apresentou à Corregedoria da Polícia Militar, que também investiga o caso. Questionado se tinha advogado constituído, a Polícia Civil não soube confirmar. Questionada, a PM não respondeu até a conclusão desta reportagem.

Um outro policial militar, um soldado chamado Paulo, também é investigado pela morte do garoto. No local do crime foi encontrada uma tarjeta da PM com o nome Paulo. "As investigações estão em andamento. Há indícios fortes da participação do PM no caso", disse o delegado Marcelo Jacobucci, da Divisão de Homicídios do DHPP. Segundo ele, a investigação já chegou no segundo autor do crime, mas ele afirma preferir não dar detalhes para não atrapalhar as investigações.

O sargento detido, segundo o delegado, é dono de uma empresa que fazia segurança de um galpão próximo à casa do adolescente, que morava com a avó materna. Guilherme teria sido confundido com uma pessoa que invadiu o local recentemente.

Segundo o delegado Jacobucci, há provas materiais contra o sargento. "Existem imagens de câmera e exames periciais. No vídeo, os dois autores são visíveis. Trabalhamos com a suposição de um terceiro autor. Essa é a linha de investigação que seguimos", afirmou.

O delegado também confirmou que o corpo do adolescente tinha marcas de tiro em uma das mãos, o que indica que Guilherme tentou se defender ao ser alvejado.

Em entrevista à TV Bandeirantes, Pinheiro disse também que o carro que teria sido usado para levar o adolescente seria do filho do sargento. O corpo do garoto foi encontrado próximo a um terreno de Diadema (Grande ABC) e foi reconhecido pela família.

O caso também está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar.

A morte do garoto provocou dois dias de protestos em Americanópolis, com ônibus queimados e vandalizados, um comércio foi furtado.

Vídeos com imagens de policiais militares agredindo moradores da Vila Clara, que fica na região, foram divulgados em redes sociais. Segundo pessoas que moram no bairro, as imagens foram gravadas na noite de segunda-feira, após a primeira onda de protestos.

Resposta

Questionada sobre a detenção do sargento a Polícia Militar não respondeu até a conclusão desta reportagem

Na terça (16), a PM disse já ter instaurado um Inquérito Policial Militar para identificar os policiais que aparecem em vídeos com agressões a moradores.

A Secretaria da Segurança Pública, gestão João Doria (PSDB), afirmou que as circunstâncias da morte de Guilherme Silva Guedes, 15 anos, estão investigadas pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) e pela Corregedoria da PM.

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