Com crianças assintomáticas, SP testará alunos de escolas estaduais e particulares para definir volta às aulas

Quase 70% dos alunos da rede municipal da capital paulista que tiveram contato com o coronavírus não apresentaram sintomas, na capital

São Paulo

A Prefeitura de São Paulo irá realizar um terceiro inquérito sorológico escolar para definir sobre o retorno às aulas presenciais na cidade. Neste novo teste, serão avaliados também estudantes de escolas estaduais e particulares, além dos alunos da rede municipal que foram testados nos outros dois levantamentos.

Uma das preocupações da gestão é em relação aos assintomáticos. O número de crianças que tiveram contato com o vírus e não apresentaram sintomas é mais de duas vezes maior do que o de jovens que sentiram algum sintomas da Covid-19.

Yasmin Silva Vasdquez faz a coleta na AMA/UBS Jd. Paulistano, na zona norte, para a realização de inquérito sorológico, na região da Brasilândia. - Rivaldo Gomes/Folhapress

Conforme os dados da segunda fase do inquérito, os casos assintomáticos da Covid-19 somam 69,5%, contra 30,5% dos estudantes que tiveram sintomas da doença e isso preocupa (leia mais abaixo).

"A segunda fase [do inquérito] mostra o acerto da prefeitura em não autorizar o retorno das aulas em setembro", disse o prefeito Bruno Covas (PSDB), nesta quinta-feira (27).

O governador João Doria (PSDB) abriu recentemente a possibilidade de se ter aulas de reforço nas escolas a partir de 8 de setembro.

Segundo Covas, a nova etapa de testes deverá ocorrer entre os dias 10 e 15 de setembro. "A partir desta terceira fase a prefeitura vai decidir se teremos ou não retorno às aulas neste ano na cidade", disse.

Na semana passada, Doria anunciou que o governo também fará um inquérito sorológico em todo o estado e que a testagem vai incluir professores.

Questionada sobre a possibilidade de que dois levantamentos sejam feitos de forma paralela, a prefeitura afirmou que iniciou primeiro e que o "estudo realizado pelo município junto a crianças e adolescentes começou em 5 de agosto e cada fase foi programada para acontecer a cada 15 dias".

O governo estadual afirmou que ainda estuda detalhes sobre o inquérito. Por isso não há data.
"Inquéritos sorológicos realizados por qualquer município contribuem com o monitoramento epidemiológico do estado, com a ampliação do diagnóstico e, consequentemente, com o esforço coletivo de combate ao coronavírus", disse a gestão Doria em nota.

Colégios privados seguem com pressão para retorno

As escolas particulares seguem se posicionando a favor do retorno das aulas presenciais, ao menos nas unidades da rede privada.

Segundo o presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), Benjamin Ribeiro da Silva, as instituições estão preparadas para receber os alunos.

Questionado sobre a inclusão de estudantes de escolas privadas no próximo inquérito sorológico da Prefeitura de São Paulo, ele falou que há politicagem.

Silva também pretende continuar brigando na Justiça pela volta às aulas.

Na semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido de liminar para a reabertura das escolas particulares a partir de 8 de setembro --quando o governo estadual estuda abrir parte dos colégios-- na capital paulista.

"Somos o único país que demorou o dobro de tempo para voltar às aulas", afirmou Silva.

Infectologista pede atenção com os assintomáticos

Uma das preocupações da gestão da capital é em relação ao elevado número de alunos assintomáticos entre os que tiveram contato com o novo coronavírus.

Segundo os dados do inquérito sorológico da prefeitura, eles somam 69,5% dos 123.694 estudantes que já têm anticorpos para SARS-Cov-2. Isso representa 85.967 alunos, número mais que o dobro dos 37.727 que sentiram algum sintoma.

Lina Paola, infectologista do hospital Beneficência Portuguesa, diz que as pessoas assintomáticas podem transmitir o vírus da mesma forma que aquelas com sintomas, por isso, é importante medidas de prevenção uniformes.

"Talvez não seja possível testar essas crianças diariamente, a assim, a única forma de volta às aulas é com máscaras para todos, incluindo adultos, poucos alunos na escola e distanciamento. Se isso não for possível, talvez não devamos voltar às aulas neste ano", diz.

Doença atingiu 11% dos paulistanos

O governo Covas apresentou também, nesta quinta (27), a quarta fase do inquérito sorológico que visa estudar o comportamento do coronavírus na capital.

As análises do estudo foram feitas até o dia 17 de agosto, com 2449 amostras coletadas e mostram uma prevalência na população paulistana de 11%.

A estimativa é que 1,3 milhão de pessoas tenham anticorpos. Zona sul, com 14,1%, é a área com mais pessoas que já tiveram contato com o vírus. Pretos e Pardos são a etnia mais afetada, com 15,1%.

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