Confira onde ver os filmes da atriz Olivia de Havilland

Estrela remanescente da era de ouro de Hollywood morreu aos 104 anos

A atriz Olivia de Havilland como Melaine Wilkes, em "E o Vento Levou" - AFP
São Paulo

Há uma semana, o cinema mundial perdeu Olivia de Havilland, aos 104 anos, uma das estrelas remanescentes da era de ouro de Hollywood. Lembrada pela interpretação de Melaine em “E o Vento Levou”, a atriz foi um dos principais nomes da indústria cinematográfica graças aos seus trabalhos nas telas e a uma batalha que travou na Justiça contra um dos grandes estúdios da época.

Nascida em Tóquio, filha de um professor e advogado e de uma ex-atriz, Olivia foi para os EUA aos três anos, quando seus pais se divorciaram. Começou a atuar na escola e aos 18 anos fez parte de uma montagem de “Sonho de Uma Noite de Verão”, de Shakespeare. Uma das apresentações foi vista por Max Reinhardt, produtor e diretor teatral que a convidou para a versão cinematográfica que ele iria dirigir, pela da Warner, em 1935.

Olivia impressionou também os executivos do estúdio, que ofereceram a ela um contrato de sete anos. Ainda em 1935, a jovem atriz estrelou mais três filmes da Warner, um deles, “Capitão Blood”, com Errol Flynn.

Quatro anos depois, a Warner a cedeu ao diretor David O. Selznick para fazer parte de “E o Vento Levou”. Ao voltar para o estúdio, Olivia continuou estrelando filmes, mas com o reconhecimento de duas indicações ao Oscar, passou a exigir da Warner personagens mais complexos, além das mocinhas doces a que era designada.

Como resultado, Olivia foi suspensa por seis meses pela Warner. Era a época do studio system, o ‘sistema de estúdio’, em que as empresas tinham contrato fixo com atores, diretores e técnicos, moldando suas estrelas a determinados papéis e imagens e obrigando-as a desempenhá-los.

A suspensão acabou levando Olivia à Justiça contra a Warner, pois o estúdio queria, ao final do contrato, uma compensação financeira pelo período em que ela não atuou. A batalha judicial durou dois anos, em que a atriz não apareceu em um filme sequer.

Ao final, em 1944, ela venceu a briga, em uma decisão da Justiça que ficou conhecida como “Lei de Havilland”. Olivia não precisaria compensar a Warner e os contratos com os estúdios deveriam se limitar a sete anos. Histórica, a vitória mudou as relações trabalhistas nos grandes estúdios, dando aos atores mais liberdade e poder sobre suas carreiras.

Os atores Olivia De Havilland e Errol Flynn em cena do filme "As Aventuras de Hobin Hood" (1938), com direção de Michel Curtiz - The Picture Desk /France Presse- AFP

Errol Flynn foi parceiro em oito filmes

Olivia de Havilland e Errol Flynn estrelaram juntos oito filmes, alguns deles dirigidos por Michel Curtiz. O primeiro foi “O Capitão Blood”, um autêntico longa do gênero capa e espada, em 1935, logo após a chegada de Olivia à Warner.

Um ano depois, eles coestrelaram “A Carga de Cavalaria Ligeira” e voltaram à capa e espada em 1938, com “As Aventuras de Robin Hood”. Neste filme, Flynn é o personagem título e Olivia interpreta Lady Marian, por quem o ladrão de Sherwood se apaixona.

Outro destaque da parceria foi “A Cidade que Surge”, de 1939, um dos westerns que Flynn, mais conhecido pelos filmes de aventura, estrelou. No longa, ele é um vaqueiro texano que aceita se tornar delegado de Dodge City, cidade sem lei no oeste norte-americano. Olivia é uma jovem que inicialmente o rejeita, mas ao final acaba por ajudá-lo na tarefa de levar paz ao local.

Imprensa explorou rivalidade com a irmã Joan Fontaine

Olivia era a irmã mais velha de outra estrela de Hollywood, Joan Fontaine. Por décadas, a relação entre as duas foi assunto da imprensa, que explorava uma suposta rivalidade e o afastamento de ambas após a morte da mãe, em 1975.

Para completar, em suas memórias, Joan escreveu que a irmã havia sido fisicamente e psicologicamente abusiva quando ambas eram jovens.

A vitória de Joan sobre Olivia no Oscar de 1942 também alimentou as histórias de brigas. Olivia havia recebido sua segunda indicação, por “A Porta de Ouro”, e perdeu o prêmio para Joan. Quando finalmente Olivia ganhou seu primeiro Oscar, Joan teria sido esnobada pela irmã ao tentar parabenizá-la.

No final da vida, Joan negou em entrevista ter atritos com Olivia. Ao ser questionada sobre a rivalidade, afirmou que “duas garotas legais, gostando uma da outra” não rendiam notícia.

Os atores Montgomery Clift e Olivia de Havilland em cena do filme "Tarde Demais" (1949), de William Wyler - Divulgação

Atriz foi premiada com dois Oscar

Em sua carreira, Olivia de Havilland recebeu dois Oscar de melhor atriz e foi indicada mais três vezes. A primeira vez que concorreu à estatueta, na categoria de atriz coadjuvante, foi em 1940, por “E o Vento Levou”. Perdeu o prêmio para sua colega de elenco Hattie McDaniel. Dois anos depois, veio a indicação por “A Porta de Ouro”, como melhor atriz, e nova derrota, desta vez para a irmã, Joan Fontaine.

Olivia ganhou seu primeiro Oscar em 1947, por “Só Resta uma Lágrima”, um de seus primeiros longas após o afastamento por causa da batalha contra a Warner. Na trama, ela interpreta uma mãe solteira que desiste do filho, mas acompanha a vida dele de longe.

Seu segundo Oscar de melhor atriz veio em 1950, por “Tarde Demais”, drama dirigido por William Wyler em que contracena com Montgomery Clift. No longa, ela é uma jovem reprimida pelo pai que se apaixona por um rapaz, por volta dos anos 1850.

ONDE VER
(preços e disponibilidade nos serviços de streaming e nas lojas virtuais pesquisados no dia 30 de maio)

E O VENTO LEVOU (1939)
iTunes: R$ 7,90 (aluguel)
e R$ 19,90 (compra)
Google Play: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 19,90 (compra)
Microsoft Store: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 19,90 (compra)
Old Flix: grátis para assinantes
Vivo Play: R$ 6,90 (aluguel)
americanas.com.br: DVD por R$ 19,90

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD (1938)
Looke: grátis para assinantes, R$ 4,99 (aluguel) e R$ 19,99 (compra)
Net Movies: grátis para assinantes
NOW: R$ 3,90 (aluguel) e grátis para assinantes do Looke

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO (1935)
Looke: R$ 7,99 (aluguel)

UMA CIDADE QUE SURGE (1939)
iTunes: R$ 7,90 (aluguel) e R$ 19,90 (compra)

NASCIDA PARA O MAL (1942)
livrariacultura.com.br: DVD
por R$ 32,90 (compra)
livrariasaraiva.com.br: DVD
por R$ 34,90

GRAÇAS À MINHA BOA ESTRELA (1943)
livrariacultura.com.br: DVD
por R$ 29,90 (compra)

TARDE DEMAIS (1949)
livrariacultura.com.br: DVD
por R$ 39,90 (compra)
Versátil Home Video: DVD
por R$ 29,90

O INTRÉPIDO GENERAL CUSTER (1941)
livrariasaraiva.com.br: DVD por R$ 19,90

Hanuska Bertoia
Hanuska Bertoia

47 anos, é formada e pós-graduada em jornalismo. Gosta de ver filmes em qualquer plataforma (TV, celular, tablet), mas não dispensa uma sala de cinema tradicional.

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.