Descrição de chapéu clima chuva

Com calor recorde, paulistano recorre a ventilador e piscininha

Vendas de eletrônicos para refrescar cresceram mais de 450% em uma semana em grande rede

São Paulo

Ventilador ligado o tempo todo e ar-condicionado "no talo" são as estratégias do enfermeiro João Pedro Ferreira, 22 anos, para amenizar o calor. "Sem isso, não dá."

Essa tem sido a receita para muitos paulistanos, que têm vivido repetidos recordes de temperaturas máximas desde que a primavera começou.

Nesta quarta-feira (7), o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mediu 37,3ºC na capital, a terceira maior desde que os registros tiveram início. De acordo com o órgão, cinco temperaturas registradas em 2020 estão entre as 10 maiores da história.

Para fugir do calor, tem aumentado a venda de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e até piscina inflável. Entre 28 de setembro e 2 de outubro, o número de ventiladores vendidos na rede Magazine Luiza na Grande São Paulo cresceu em 1.088% quando comparado com a semana anterior. Em relação ao mesmo período de 2019, a elevação foi de 455%.

Na rede Extra, as vendas de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado na capital paulista cresceram 290% na comparação com a média registrada nas últimas quatro semanas. Em relação ao ano passado, o aumento foi de 256%.

O ambulante Douglas Freitas vende piscinas de plastico na esquina da rua 25 de março, próxima à ladeira Porto Geral, na região central de SP - Folhapress

O movimento é o mesmo no comércio informal. Douglas de Freitas, 30, vende piscinas infláveis na rua 25 de março (região central). Nos últimos dias, a procura aumentou tanto que ele aumentou o preço em 25% e, ainda assim, vende ao menos dez do maior modelo por dia, cada uma a R$ 150. "Estão procurando muito, e, se não aumentar o preço, vendo tanto que falta."

A inflação causada pelo calor foi medida em levantamento da FGV (Fundação Getúlio Vargas): os preços dos "produtos do verão" em setembro, quando o termômetro começou a subir, ficaram, em média, 0,59% mais caros que em agosto. As altas mais significativas aconteceram com ventiladores e circuladores de ar (2,65%), sorvetes e picolés (2,07%) e protetores para a pele (1,49%).

Para a secretária Vanessa Dias, 37, segurar o calor depois do almoço só com um sorvete. "É o que ajuda a refrescar."

"Tá estourado", diz Rodrigo Santos sobre a alta nas vendas de água de coco e frutas fatiadas na região da 25 de março. Mas o calor é tanto que tem horas em que não dá para resistir, e ele também acaba consumindo os produtos. "Senão não aguento."

As distribuidoras de água sentiram o crescimento da demanda. Na Vila Mariana (zona sul), uma loja registrou elevação de 30% nas vendas, segundo o proprietário, Carlos Kremer. Já na Bela Vista (região central da capital), o gerente de uma distribuidora, Rodrigo Nunes, diz ter que na semana passada vendeu 100 galões a mais do que a média, que gira em torno de 300.

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