Direito à vida

São Paulo acaba de bater um triste recorde: a taxa de mortalidade materna disparou e já é a maior no estado desde 1996. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram 60,6 mortes em 2017 para cada grupo de 100 mil mães --em 1996, este índice era de 43,6.

Essa estatística inclui os casos em que a mulher morre durante a gestação ou até 42 dias após o nascimento do bebê, por algum fator relacionado à gravidez.

Apesar de estar abaixo da média brasileira, de 64,5, São Paulo ocupa uma vergonhosa 13ª colocação no ranking nacional. O estado mais rico da nação está atrás, por exemplo, de Alagoas (37,7), Acre (48,9) e Sergipe (56,1), unidades da Federação muito mais pobres.

O avanço assusta: de 2000 para cá, a alta foi de 50% nesse índice. É por isso que, ao lado de outros estados, São Paulo contribuiu para o Brasil não cumprir um compromisso internacional de chegar a 2005 com uma média de 35 mortes a cada 100 mil.

Para especialistas, um dos motivos pode ser a redução do total de leitos nas maternidades. Um estudo mostra que, entre 2010 e 2018, São Paulo perdeu 726 leitos obstétricos. Outra explicação é o aumento de cesarianas, que pularam de 49% para 59% entre 2000 e 2015.

Já a Secretaria da Saúde, do governo João Doria (PSDB), diz que os números ruins estão ligados à "melhoria na notificação das mortes" e que a taxa de 2018 deverá ficar em 41,5 por 100 mil. Ainda segundo a pasta, a hemorragia é a principal causa das mortes maternas. 

O importante nessa questão é oferecer assistência médica de qualidade às mulheres: no pré-natal, no parto e no pós-parto. Trata-se de um direito das mães --e de obrigação do poder público.

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