O alvo é a democracia

A indecência do presidente Jair Bolsonaro no trato com a imprensa parece não ter limites. Na terça (18), ele insultou uma repórter da Folha de S.Paulo ao dar a entender que ela teria oferecido sexo em troca de informações.

Engana-se, porém, quem imagina que o alvo do presidente seja apenas a imprensa. Agindo assim, ele atenta contra a própria democracia brasileira.

Muitos imaginavam que, na Presidência, o ex-deputado, já famoso pelas grosserias, adotasse modos à altura do cargo. Mas não. A instituição está sendo contaminada por ataques, ignorância extrema, machismo e espírito de facção.

O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra quem se opõe aos desejos do Planalto. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo, governadores, jornalistas e a mídia em geral tornaram-se vítimas de ofensas e ameaças.

Sem força no Congresso (nem mesmo um partido tem), Bolsonaro tenta minar os órgãos que servem de contrapeso aos seus poderes. Privilegia militares com verbas, regras e cargos. Cães de guarda na internet, milicianos e parte dos militares compõem a tropa dos sonhos do presidente para compensar a sua pequenez, satisfazer seus delírios autoritários e desafiar a democracia.

As imunidades de um presidente não foram criadas para que ele possa difamar, injuriar e caluniar cidadãos, como está ocorrendo. Dignidade, honra e decoro são requisitos legais para exercer a função pública. Quem os desrespeita comete crime de responsabilidade.

Espera-se que esse jogo sujo encontre as devidas respostas das instituições democráticas. Afinal, Bolsonaro é temporário, mas elas são permanentes.

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, faz insultos à jornalista da Folha Patrícia Campos Melo, durante conversa com simpatizantes na entrada do Palácio do Planalto - Reprodução/TV Globo

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