Descrição de chapéu Opinião

Luís Marcelo Castro: O Boca do ABC

“A maioria não botava fé, mas fomos em frente, trabalhando e acreditando. Não ganhamos a Copa do Brasil por acaso.” Lembrei-me esses dias da frase do artilheiro Sandro Gaúcho, em uma entrevista que fiz com ele, poucos meses depois de o Santo André surpreender o país e faturar a Copa do Brasil.

Em 2004, a equipe comandada por Péricles Chamusca, sem um craque, contava com um grupo de bons nomes, como Júlio César, Alex, Ramalho, Osmar e o próprio Sandro, e saiu batendo os gigantes Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo, sempre como azarão, até chegar ao cobiçado troféu nacional, galgando uma vaguinha na Libertadores.

O meia Cristian, 39 anos, é um dos destaques do Santo André na Série A-2 do Campeonato Paulista
O meia Cristian, 39 anos, é um dos destaques do Santo André na Série A-2 do Campeonato Paulista - Julia Chequer - 14.jan.15/Folhapress

Passados 15 anos, o time se encontra na Série A-2 do Paulista. Ou melhor, às portas da A-1. Novamente, o Ramalhão se classificou na bacia das almas às quartas de final, no confronto direto com a Portuguesa na última rodada.

No mata-mata, depois de perder em casa para o favorito Rio Claro, o time do Grande ABC venceu fora e avançou nos pênaltis. Agora, já fez 2 a 0 no Água Santa, que dominou praticamente todo o campeonato, e complicou a vida do melhor time do torneio.

Na última vez que subiu à elite, em 2016, o roteiro foi semelhante: avançou em oitavo, destronou o líder São Caetano nas quartas e embalou rumo ao caneco, atropelando a todos que haviam ficado à sua frente.

Pelo andar da carruagem, não será surpresa se o Santo André, depois de quase ser eliminado (só fez um ponto contra os dois rebaixados), subir e ainda levantar a quinta taça da A-2, igualando o recorde do XV de Piracicaba, que também segue vivo —disputa o acesso com a Inter de Limeira.

Essa história de renascer das cinzas lembra muito a de um clube multicampeão da América do Sul: o argentino Boca Juniors, que quase todo ano sofre na fase de grupos, vai ao mata-mata no sufoco e, então, coitado de quem vier pela frente.

A camisa azul, definitivamente, carrega a força da fênix.

Jogadores do Santo André comemoram o título da Copa do Brasil de 2004, no Maracanã, após a vitória sobre o Flamengo
Jogadores do Santo André comemoram o título da Copa do Brasil de 2004, no Maracanã, após a vitória sobre o Flamengo - Felipe Varanda - 29.jun.04/Folhapress
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