Descrição de chapéu Opinião

Caneladas do Vitão: O ex-meu, o ex-seu, o ex-nosso Pacaembu

Vitor Guedes
São Paulo

A primeira vez ninguém esquece. Faz parte do ritual. Passagem, aprendizagem. Misto de curiosidade. Com uma pitada de necessidade. De autoafirmação, de patriarcal aceitação. A sociedade funciona na base da aprovação. Progressiva, continuada.

Claudio Oliveira

No meu tempo de criança, no milênio passado, ido ultrapassado, meninos ainda eram criados com valores completamente diferentes das meninas. Era comum o pai bancar a iniciação do menino. E apresentá-lo à plateia, recheado de familiares e amigos, em sua estreia. Hoje é o dia! O programa do garoto era um evento marcado com antecedência. Cheio de cerimônia. Rapaziada metia pilha, afinal o projeto de homem nunca foi uma ilha. Qual a graça de, enfim, chegar lá e não contar para ninguém? Amor compartilhado pré-rede antissocial.

A sociedade mudou, em algumas coisas, evoluiu. Lentamente, progrediu. Meninas e meninos merecem, ou deveriam merecer, o mesmo tratamento. E, aos poucos, aprendemos a valorizar todos os momentos. Os melhores momentos. E não estigmatizar como marca indelével a primeira experiência.

Minha primeira vez foi no Pacaembu, Corinthians 3 x 1 Sport. Meu primeiro Dérbi, 3 a 0 para o Timão, com show de bola de Everton e Marcos Roberto, também. Experiências vividas ao lado do meu pai, primos e amigos também corinthianos. Um dos melhores momentos, sem dúvida, foi lá, ao lado do meu irmão, em 2012, no maior 4 de julho da história. A primeira derrota, para o Flamengo, e outras tristezas, que forjam caráter, lá foram vividas também.

Iniciei meu filho, 3 anos incompletos, na arrancada para o título do Brasileirão-2011, em um Corinthians 2 x 1 Athletico-PR, no Pacaembu também. Outras gerações corinthianas viveram ali o fim do tabu do Santos, o título do Quarto Centenário... Palmeirenses, santistas, lusos e são-paulinos, de todas as idades, também têm primeiras e muitas histórias relacionadas ao estádio. Como esquecer a bicicleta do Silva, juventinos?

Acabou. Passado, que é presente na memória de todos, já era. Mataram o meu, o seu, o nosso Pacaembu. O maior pobre é o pobre de espírito que só vê lucro e jamais pensa no bem coletivo. Nem tudo é dinheiro. Pobre, São Paulo, pobre, paulista. Iniciativa privada não vê lucro em preservar o bem público.

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