Descrição de chapéu Opinião

Caneladas do Vitão: Minas de ouro

São Paulo

O sorriso negro de Tainá Borges é só para os fortes. Goleira que não espera ser abraçada pela sorte e corre atrás de agarrar a chance como quem luta pela vida contra a morte. Que mina! Katiuscia mata a adversidade no peito com simplicidade. Que mina! Pardal ensina. Pula, corre, joga... Que mina!

Claudio Oliveira

​Érika é a cara do Brasil. Sofre, corre, em campo dá a vida, não morre. As mais inexperientes, socorre. Que mina!

Juliete é lateral. Que não aceita a condição marginal. A periferia que aparece em condição central para brilhar no momento final. Que mina!

Grazi fala, comanda. Não cala. Merece a taça e a faixa. Capitã é quem inclui, soma, não quem explora nem toma. Que mina!

Gabi Zanotti merece trocar o shorts, as meias e a camisa por fraque. É 10, craque! Que mina!

Victoria Albuquerque é talismã. Artista que assina pintura na final e ainda corre para abraçar os fãs. Tamires arma, desarma, cria, finaliza. Que mina!

Giovanna Crivelari quem não viu, vai ver, poesia com as pernas que essas maltraçadas linhas não conseguem descrever. Que mina! Millene é veloz, agressiva, viva. Atitude de mulher, ímpeto de moleca de quem sabe a hora de tirar a camisa e incendiar a festa. Que mina!

Lelê, Lelê, Lelê, Lelê, Lelê também está de parabéns. Deu samba. Paty é mana. Tati Amaro, aquele abraço. Para Giovanna Campiolo, outro apertado. Mimi é raça. Sem drama nem mimimi. Na mesma toada, Maiara é garra. Ingryd está na foto. Paulinha arrepia... Suellen... A vida de luta, às vezes, também é doce, Cacau. Ser campeão não é nada mau... Que minas!

Parabéns a quem venceu todas as partidas e não deu a chance de quem esperava o primeiro tropeço para diminuir o trabalho, fazer gracejo. Oportunistas que esperaram uma chance ficaram na saudade!

Em um país desgovernado pelo machismo de Estado que flerta com atraso da absolutista e patética monarquia, parabéns às minas, verdadeiras rainhas, que lotaram o estádio. E lutaram em nome do que sempre amaram e a vida inteira lutam. Para o direito de todos, inclusive os que jogam pedra e rosnam idiotia, viver em um mundo mais igual, com menos misoginia.

Ser mulher e ser respeitada por jogar bola é fazer escola.

Zona leste somos nós!

É campeão, soltem a voz, o Brasil somos nós!

Vitor Guedes
Vitor Guedes

42 anos, é ZL, jornalista formado e pós-graduado pela Universidade Metodista de São Paulo, comentarista esportivo, equilibrado e pai do Basílio

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