Preço da gasolina sobe até 10 centavos nos postos de São Paulo

Alta do petróleo após ataques na Arábia chegou ao país com reajuste na Petrobras

Cristiane Gercina
São Paulo

Ao menos 45% dos postos da capital paulista reajustaram o preço da gasolina nesta semana, segundo levantamento do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de SP).

O aumento foi de até 10 centavos, mas, em média, variou entre 4 e 5 centavos, segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do sindicato. O levantamento do órgão, que representa os postos, foi feito em cerca de cem estabelecimentos. Do total, 55% ainda não subiram os valores, mesmo depois de a Petrobras elevar a gasolina em 3,5% e o diesel em 4,2% nas refinarias.

Os reajustes ocorrem após ataques a petrolíferas na Arábia Saudita, que fizeram o preço do barril do petróleo disparar no mercado internacional. Os ataques ocorreram no sábado (14), mas a tensão segue na região. “Se a tensão está subindo e houver uma greve, o preço médio vai subir. Como a Petrobras trabalha com preços internacionais, com certeza vai aumentar.”

Para tentar coibir abusos nos reajustes, o Procon-SP iniciou ontem a operação “Preço Justo”. Foram fiscalizados 20 postos. Em um deles, o reajuste dos valores ultrapassou 20% o que, para órgão, é abusivo.

No estabelecimento, que fica na zona sul da capital, o litro da gasolina estava sendo vendido a R$ 5,19.
“A gente sabe que tem a livre iniciativa de mercado, mas se não conseguir comprovar porquê está aumentando o combustível, se o reajuste não é razoável, o posto será notificado”, diz Carlos César Mareira, diretor de fiscalização do órgão.

Se houver desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor, o posto é notificado e, futuramente, pode ser multado. Os valores vão de R$ 650 a R$ 9,6 milhões.

Segundo pesquisa semanal da ANP (agência de petróleo), o preço máximo do litro da gasolina na capital e no estado de São Paulo ficou em R$ 4,99 na semana entre os dias 15 e 20 de setembro.

Contra abusos | Entenda a fiscalização

  • O Procon-SP iniciou nesta sexta-feira (20) operação de fiscalização nos postos de combustíveis da capital
  • Chamada de “Preço Justo”, a operação tem o objetivo de evitar aumentos abusivos no valor da gasolina e do diesel

Motivo
O ataque a petrolíferas na Arábia Saudita, no sábado (14), fez com que os preços do petróleo subissem em todo o mundo
No Brasil não foi diferente; a Petrobras anunciou que não elevaria os valores, mas, dois dias depois, aumentou o combustível em suas refinarias

O reajuste da Petrobras foi de:

  • 3,5%, na gasolina
  • 4,2%, no óleo diesel

Preços maiores
Segundo o sindicato das distribuidoras, os postos da capital já receberam combustível mais caro nesta semana e muitos elevaram seus preços
O aumento médio na bomba foi entre 4 e 5 centavos, mas chegou a 10 centavos em alguns locais

Valores 20% maiores
Já a fiscalização do Procon-SP encontrou preço maior em um posto da capital
No local, o combustível tinha sido reajustado em mais de 20%; o estabelecimento foi autuado

Balanço parcial
Após fiscalização em 20 postos, o Procon-SP encontrou outras irregularidades
Dentre as falhas, em sete os preços dos combustíveis não estavam em locais visíveis
Seis deles vendiam produtos fora da data de validade

Notificação versus Multa
Na primeira visita do Procon-SP, as empresas são notificadas
Elas têm prazo entre sete e dez dias para darem explicações sobre as irregularidades
Caso seja comprovado descumprimento do Código de Defesa do Consumidor, o posto é multado

Multas
Vão de R$ 650 a R$ 9,6 milhões

Pesquisa da ANP (agência de petróleo)
Semanalmente, a ANP pesquisa os preços dos combustíveis no país

Veja os preços médios da gasolina


Valores em R$, por litro

Semana Na capital paulista No estado de SP
25 a 31 de agosto
 
4,067 4,087
1º a 7 de setembro 4,03 4,073
8 a 14 de setembro 4,079 4,08
15 a 20 de setembro

4,063


 
4,075

Fontes: Fundação Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo), Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo) e ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

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