Litro da gasolina passa de R$ 5 na capital

Alta dos combustíveis pressionou a prévia da inflação de abril

Patrícia Pasquini
São Paulo

​​O litro da gasolina chegou a R$ 5,19 na capital paulista, segundo pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petró­leo, Gás Natural e Biocom­bustíveis) realizada entre os dias 14 e 20 de abril.

No mesmo período, o pre­ço do litro do etanol chegou a R$ 3,59 nos postos da ca­pital. No estado de São Pau­lo, a gasolina também já é encontrada a R$ 5,19 e o etanol, a R$ 3,69 por litro.

Na capital, os maiores va­lores foram encontrados em um posto no Jardim Europa. Um dos gerentes do local ex­plicou que o último aumen­to, de R$ 0,20, ocorreu antes do feriado da Páscoa. Ele não soube dizer se o estabeleci­mento fará novo reajuste.

 

A estratégia do posto para atrair clientes é oferecer du­cha gratuita a quem abaste­cer acima de dez litros.

“O aumento da gasolina é uma decisão da Petrobras com base no mercado inter­nacional, que analisa o valor do barril e do dólar. Pela ca­deia, a estatal repassa à dis­tribuidora e chega até os postos. Cabe ao dono do posto a decisão de repassar ou não o aumento ao consu­midor”, diz o presidente do Sindicato do Comércio Vare­jista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo, José Alberto Paiva Gouveia.

Etanol

No caso do etanol, o preço médio entre os dias 14 e 20 de abril era de R$ 2,86 na capital, R$ 2,820 no estado e R$ 2,970 no país.

Na avaliação do sindicalis­ta, o aumento atual do litro do álcool foi atípico. “Para a alta do etanol não há expli­cação, até porque o preço é liberado. Estamos em plena safra e geralmente nesse pe­ríodo o preço cai, mas os usi­neiros fizeram o contrário.”

 

A pesquisadora da área de etanol do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Eco­nomia Aplicada) da USP Iveli­se Rasera Bragato Calcidoni disse que a chuva dificulta a colheita da cana e, consequentemente, limita a moa­gem.

“Na primeira quinzena de abril, as distribuidoras es­tiveram ativas no mercado por causa da demanda aquecida do feriado de Pás­coa. O cenário de menor oferta devido às condições climáticas somado à deman­da elevada colaboram para a alta do preço”, explica.

Pressão na inflação

A alta no valor dos combustíveis em todo o país foi o que mais pressionou a prévia da inflação de abril, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) do mês foi de 0,72%, acima do 0,54% de março e o maior para abril desde 2015, quando o índice estava em 1,07%.

Os transportes tiveram a maior variação, de 1,31%, principalmente por conta dos combustíveis, que subiram 3% em média no país, com destaque para a gasolina, com alta de 3,22%. O etanol também subiu, de 2,64% para 2,74%, e o óleo diesel teve aumento de 0,67% para 1,06%. Em março, o grupo dos transportes havia apresentado alta de 0,59%.

O segundo maior impacto foi do grupo alimentação e bebidas, com alta de 0,92%, menor que a variação de 1,28% em março.
 

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