Ford encerra nesta quarta as atividades na fábrica de São Bernardo do Campo

Até 650 trabalhadores serão demitidos com o fim da produção de caminhões

Ana Paula Branco
São Paulo

A Ford encerra, nesta quarta (30), sua produção de caminhões em São Bernardo do Campo (ABC), concluindo o encerramento das atividades da multinacional norte-americana no município anunciado em fevereiro de 2019. Cerca de 650 profissionais serão desligados a partir de quinta-feira (31). 

Permanecem na fábrica, até março de 2020, cerca de 1.000 trabalhadores dos setores administrativos serão mantidos pela montadora. A partir de abril, eles serão transferidos para uma nova sede na capital paulista.

Durante a última assembleia com os trabalhadores na Ford, realizada nesta terça (29), sindicalistas cobraram do governo federal a liberação de um financiamento do BNDES para a possível compradora da planta, a brasileira Caoa. Eles pediram aos trabalhadores atenção ao WhatsApp, por onde devem ser feitas convocações.

 

Em 31 de julho, a montadora demitiu 750 funcionários que trabalhavam na linha de montagem do Fiesta, modelo que era produzido no Brasil desde 1996. No total, cerca de 1.400 profissionais serão demitidos.

Há chances de a unidade ser vendida para a Caoa e os funcionários serem readmitidos. No entanto, nenhum acordo foi concluído até o momento, segundo a assessoria da Caoa.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a empresa brasileira aguarda a liberação de um financiamento pelo BNDES para concluir a compra. O sindicato afirma que já foi feito com a Caoa um acordo trabalhista, que garantia prioridade de contratação dos trabalhadores da Ford e o pagamento de 80% da tabela da Ford. 

O governo de São Paulo, sob gestão João Doria (PSDB), afirmou ao Agora que procurou intermediar a venda da fábrica, mas a negociação depende de entendimento particular.

A Ford anunciou o fechamento da sua fábrica de São Bernardo do Campo em fevereiro. Segundo a montadora, a decisão faz parte de uma reestruturação global da empresa. 

O sindicato orientou os trabalhadores a garantirem a indenização do PDI (Plano de Demissão Incentivada) negociado com a montadora. O acordo prevê, além dos direitos trabalhistas na rescisão, que os empregados demitidos recebam de um e meio a dois salários (horistas) e de 0,75 a um salário e meio (mensalistas) por ano trabalhado.

O índice maior incidiria sobre aqueles que decidissem pedir as contas em definitivo. Já o índice menor valeria para quem optasse por participar de processo de seleção para trabalhar na fábrica depois que ficasse definido novo comprador.

O acordo inclui ainda amparo psicológico, curso de requalificação profissional e ajustes no convênio médico.

 
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