Após confusão, deputado do PT diz que vai pedir cassação de Mamãe Falei

Discussão da Previdência estadual teve empurra-empurra, xingamentos e mordida; sessão deve ser retomada hoje

São Paulo

Depois da confusão que teve início na noite da última quarta-feira (4), durante discussão da PEC da reforma da Previdência dos servidores do estado de São Paulo, o deputado Teonilio Barba (PT) disse que vai pedir a cassação do também deputado Arthur do Val (sem partido).

"Vou fazer o pedido no Conselho de Ética da Casa por decoro parlamentar. É inaceitável o comportamento dele de chamar os servidores de vagabundos", afirmou ao Agora.

Durante sua fala, Arthur do Val —mais conhecido como Mamãe Falei— foi advertido várias vezes pelo presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), deputado Cauê Macris (PSDB), por chamar os servidores que estavam na galeria do plenário de "bando de vagabundo" e por chamar para a briga alguns dos presentes.

A sessão, que precisou ser suspensa, teve empurra-empurra, ameaça de socos e até mordida. Alguns deputados tiveram que ser contidos.

O presidente da Alesp, deputado Cauê Macris (PSDB), disse que o caso será analisado pelo Conselho de Ética da Casa e que as cenas registradas na última quarta-feira "não condizem com a história da Assembleia Legislativa de São Paulo".


​O deputado Arthur do Val disse ao Agora que, por enquanto, vai "analisar com calma e serenidade" se vai tomar alguma providência contra os deputados do PT que subiram à tribuna.

"O que tava lá não era população espontânea, era sindicalista fazendo baderna, xingando todo mundo, me ameaçando de morte, e isso não faz parte do jogo democrático", disse.

Na noite desta quarta (4), ele chegou a defender, em rede social, a cassação de quatro parlamentares petistas, entre eles Teonilio Barba e Enio Tatto.
Deputado Teonilio Barba (PT) na Alesp
Deputado Teonilio Barba (PT) afirma que vai acionar Conselho de Ética: "É inaceitável chamar os servidores de vagabundos" - Carol Jacob/Alesp

Tatto, segundo ele, foi quem iniciou a discussão ao ter dito, mais cedo, que a deputada Janaina Paschoal (PSL) havia "sentado no colo do Doria" por querer votar a Previdência estadual.

O deputado Heni Ozi Cukier (Novo), que acabou levando uma mordida do deputado Luiz Fernando (PT) na confusão, disse que também não pretende tomar nenhuma ação.

"Não vou, quero resolver conflitos e não gerar mais tensão", disse ao Agora.

Servidores repudiam discurso

Entidades de servidores públicos estaduais repudiaram as cenas ocorridas no plenário da Alesp.

"Repudiamos todas as demonstrações de ódio e desprezo manifestadas pelo deputado estadual Arthur do Val, que chamou os trabalhadores do serviço público de 'vagabundos' e fez gestos obscenos com o dedo do meio em direção à população presente", disse a Aojesp (Associação dos Oficiais de Justiça do Estado de São Paulo".

Para o CPP (Centro do Professorado Paulista), o discurso no plenário foi mais um ataque ao funcionalismo.

"A reforma da Previdência é prejudicial aos funcionários públicos em diversos pontos. A tramitação em regime de urgência, sob viés autoritário, tem impedido que a classe debata o assunto de forma ampla. É inadmissível, portanto, que o parlamento registre mais um episódio de desrespeito como esse."

Sessão deve continuar nesta quinta (5)

A PEC da Previdência estadual, que estava prevista para ser votada nesta quarta-feira (4), deve ser retomada na noite de hoje. A proposta precisa ser votada em dois turnos. Em paralelo, tramita um PLC (projeto de lei complementar) que, segundo os parlamentares, deve ser votado na próxima semana.

A expectativa do governo do estado é de concluir a aprovação das mudanças nas aposentadorias dos servidores estaduais ainda neste ano. O secretário da Fazenda participou na última terça-feira (3) do Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa para falar das propostas de reforma. Com regras mais rígidas para o funcionalismo, o governo prevê economizar R$ 32 bilhões em dez anos.

Dos R$ 34,3 bilhões gastos anualmente para pagar 550 mil aposentados e pensionistas, R$ 29 bilhões vêm do governo (86%), sendo R$ 7,2 bilhões de contribuição patronal e R$ 22,3 bilhões de insuficiência.

Outros R$ 4,8 bilhões vêm da contribuição dos servidores públicos, segundo dados do estado, informados pelo secretário da Fazenda e Planejamento do Estado, Henrique Meirelles.

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