O valor pode ser pago por até três meses e é depositado na conta informada pelo patrão ao Ministério da Economia. Alguns trabalhadores, porém, relatam dificuldades em receber o benefício. Há casos de cadastro com informação de óbito do trabalhador e até saque feito por outra pessoa.
A mulher de Diego B., de Campinas (98 km de SP), está com o contrato suspenso desde 29 de abril e ainda aguarda a primeira parcela da compensação. "Minha esposa foi direto na Caixa, onde descobriu que alguém se cadastrou no aplicativo [Caixa Tem] e sacou todo seu dinheiro. Agora, a Caixa pediu dez dias para verificar a situação", conta Diego.
De acordo com o Ministério da Economia, se houver suspeita de fraude, o trabalhador deve procurar o banco responsável pelo pagamento, Caixa ou Banco do Brasil. Se houver comprovação de fraude, o beneficiário será ressarcido.
Mesmo quem já recebeu uma parcela do acordo enfrenta incertezas. Uma empresa de turismo relatou à reportagem que alguns de seus colaboradores estão com o valor deste mês bloqueado, após terem o status do benefício alterado pelo governo.
Esse ajuste ocorre após reanálise automática do sistema para confirmar que o trabalhador ainda atende aos critérios do programa.
O profissional deve acompanhar a situação do seu benefício pelo Portal Emprega Brasil e avisar o empregador se houver qualquer divergência de informação para que seja feita a revisão do benefício pela Secretaria do Trabalho.
O que fazer se não receber o valor
- O trabalhador que não tiver a grana depositada no dia informado deve comunicar imediatamente o empregador
- Cabe ao patrão verificar com o Ministério da Economia o que aconteceu
- O trabalhador pode falar também com o Ministério da Economia, pelo telefone 158
Mudança no status da parcela
- Trabalhadores têm relatado uma mudança no status do seu cadastro do BEm
- Segundo o Ministério da Economia, os bloqueios indicam alguma situação de irregularidade
- No caso de quem já recebeu uma parcela e agora está com o benefício bloqueado, é possível que, após ajustes nos critérios de habilitação do programa federal, o trabalhador tenha deixado de cumprir algum requisito legal e tenha sido considerado inapto
SITUAÇÕES OBSERVADAS PELA REPORTAGEM
Óbito
- Um trabalhador que não quis se identificar recebeu a primeira parcela do acordo de redução de jornada, mas não teve a segunda depositada
- Ele procurou o RH da empresa onde trabalha e recebeu do patrão a resposta de que, após ajuste da Dataprev, seu status, agora, consta como “TRABALHADOR COM REGISTRO DE ÓBITO”
O que fazer
- Para casos como o relatado, o Ministério da Economia orienta o trabalhador a procurar o cartório para sanar a divergência e apresentar pedido de revisão direto à Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia
- Se o recebimento estiver programado para ser pago no Banco do Brasil, o titular do BEm deve procurar uma agência com seus documentos pessoais para resolver essa inconsistência
Suspenso
- Em abril, a assistente operacional G. A. recebeu a primeira parcela referente à compensação de 70% do governo federal
- No entanto, a segunda parcela, que deveria ter sido depositada no dia 6 deste mês, não caiu na sua conta digital da Caixa
- Ao consultar a empresa, a beneficiária soube que seu benefício consta como “SUSPENSO”
O que fazer
- Segundo o Ministério da Economia, no caso em que a ausência de pagamento ocorreu por falhas de cadastro, o próprio empregador pode corrigi-las diretamente no site https://servicos.mte.gov.br/bem/#empregador
- Lá, podem ser alterados os dados do trabalhador como CPF, data de admissão, data de nascimento, nome e nome da mãe
- Se os dados forem informados com falha, pode haver a notificação por erros e, com isso, o benefício não será pago
- O trabalhador pode conferir se todas as informações estão corretas pelo Portal Emprega Brasil e informar ao patrão se algo estiver divergente
Fraude
- O técnico em segurança do trabalho R. D. teve a primeira parcela sacada por um desconhecido de outro estado
- O valor foi liberado para ser pago pela conta digital da Caixa, acessada pelo Caixa Tem
- O beneficiário nem conseguiu se cadastrar no aplicativo, pois teve seu CPF cadastrado por um email e um telefone que não é o dele
O que fazer
- Segundo o Ministério da Economia, para casos de fraudes, deve-se procurar o banco para efetuar a abertura de processo administrativo para assegurar que o saque não foi feito pelo trabalhador
- Nos casos em que houver comprovação de saque fraudulento, o beneficiário será ressarcido
- O Banco do Brasil realiza pagamentos nas contas indicadas pelo empregador, em qualquer instituição bancária, exceto a Caixa
- A Caixa é responsável pelos pagamentos para contas em que foi indicada como banco pagador e para os casos em que o empregador não indicou conta e banco
- Os bancos têm diferentes procedimentos para combate às fraudes e prazos de análise
Fique atento!
Não compartilhe informações como dados pessoais e login e senhas
Valor menor ou divergente
- O RH de uma empresa relatou que alguns dos seus funcionários estão reclamando que o valor do BEm está menor do que o acordado
- A empresa afirma que questionou o governo federal, no final de maio, e aguarda os ajustes necessários
O que fazer
Além de avisar o empregador, o beneficiário que receber do governo menos do que foi combinado, pode informar seu CPF em uma agência da Caixa ou do Banco do Brasil (a depender da conta onde o benefício é depositado) para que os bancos possam verificar, pontualmente, o que aconteceu
O cálculo do benefício
- Cada benefício é calculado pelo Ministério da Economia a partir do valor que o trabalhador teria direito de receber como seguro-desemprego, com base na média dos últimos três salários
- Para os trabalhadores com acordo para redução de jornada e salário ou suspensão do contrato, o benefício pode variar de R$ 261,25 até R$ 1.813,03
- Empregados com contrato de trabalho intermitente receberão o valor fixo de R$ 600
Como conferir onde foi depositado o benefício
- Acesse https://www.bb.com.br/pbb/bem
- Clique em “CONSULTAR BENEFÍCIO”
- Informe o seu CPF, sua data de nascimento e o CNPJ do empregador
- Marque a caixa “Não sou um robô”
- Clique “Confirmar”
A próxima tela vai mostrar, em “STATUS DA SOLICITAÇÃO”, como está a situação do pagamento
- Se o pagamento já tiver sido feito, será informado para qual banco o valor do BEm foi enviado e em qual data
- O site pergunta se você deseja receber as informações sobre o pagamento do BEm por mensagem de celular. Se tiver interesse, basta informar o telefone, com DDD
Consulta detalhada do benefício
Confira a situação de processamento de seu Benefício Emergencial e se todas as informações estão corretas pelo:
- Aplicativo “Carteira de Trabalho Digital”
- no Portal Emprega Brasil pelo site https://servicos.mte.gv.br/bem/
- Clique em “JÁ TENHO CADASTRO” e digite o CPF e a senha do login único GOV.BR, o mesmo usado no Meu INSS
- Se não tiver login, clique em “QUERO ME CADASTRAR”
- Autorize o acesso dos seus dados para o portal
- Clique em “Benefício Emergencial”
- No campo “Trabalhador”, selecione “Meus benefícios”
- Para conferir os dados do seu BEm, clique no gráfico de olho, em “Detalhar”
- A tela vai mostrar todas as informações do seu benefício emergencial
- Em “Dados da conta bancária” está o banco e a conta onde será depositado o valor
- No campo “Parcelas”, o trabalhador pode conferir as datas em que serão feitos os depósitos na conta, o valor e a situação do pagamento
Por telefone
É possível obter algumas informações do seu BEm por:
- WhatsApp: (61) 4004-0001
- Telefones: 4003-5285 nas capitais e 0800-7295285 nas demais localidades
- Os trabalhadores com benefício direcionado para pagamento na Caixa têm ainda o telefone 0800-7260207
Fontes: Ministério da Economia, Portal Emprega Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal
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