Carne é vilã da inflação dos alimentos; veja altas e preços nos açougues

Carnes acumulam alta de 35,03% nos últimos 12 meses até abril, segundo o IPCA

São Paulo

O dia de comprar carne se tornou uma grande dor de cabeça para o brasileiro. Segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o alimento teve uma alta de 1,01% no mês de abril e de 35,03% no acumulado dos últimos 12 meses.

Em abril, o IPCA subiu 0,31%, abaixo dos 0,93% de março, mas com uma variação acumulada de 6,76% em 12 meses. Se, por um lado, a queda em preços de combustíveis contribuiu para reduzir o ritmo de alta, por outro, pesaram no bolso despesas com saúde e cuidados pessoais, com alta dos medicamentos, e, na sequência, com alimentos, com destaque para as carnes e outras proteínas.

“Essa alta [das carnes] é explicada principalmente pelo aumento do preço das commodities como um todo, mas em especial das agrícolas. As altas do milho e da soja, por exemplo, acabaram aumentando o custo da ração animal e essa alta dos valores acaba sendo repassada pelo produtor para o consumidor final”, diz Pedro Kislanov, gerente do IPCA, em entrevista ao Agora.

Além do aumento das carnes de primeira, como lagarto comum (39,57%), alcatra (31,92%), picanha (31,81%) e filé mignon (23,15%), o que mais se destaca no acumulado de 12 meses é a alta dos cortes de segunda, como coxão duro (52,75%), músculo (40,9%), acém (38,34%) e costela (38,04%).

“São dois fatores. Primeiro, a questão do auxílio emergencial. Essa renda direcionada para as famílias mais pobres foi para a compra de itens essenciais, entre eles, de carne, e pessoas de menor renda consomem esse tipo de carne. O segundo fator é que, como temos uma grande inflação no preço das carnes, muitas famílias migraram das carnes mais caras para as mais baratas. E não só para carnes de segunda, como também para o frango e suíno, que no geral são mais em conta que a carne bovina”, comenta Kislanov.

O acumulado dos últimos 12 meses também leva em conta o aumento da carne durante um período do ano passado, que contou com uma alta grande do dólar.

"Teve uma restrição de oferta no mercado interno no ano passado causada pelo câmbio, porque a partir do momento que o dólar sobe, fica muito mais vantajoso para o produtor exportar e não colocar essa carne no mercado interno. E tem o lado da demanda também, que aumentou por causa da renda extra do auxílio emergencial”, destaca o especialista.

A reportagem consultou dez açougues em São Paulo, dois em cada região da capital, e pesquisou o preço do quilo dos 16 cortes bovinos com maior alta, segundo o IPCA.

O quilo do coxão duro, corte que mais aumentou na pesquisa, variou de R$ 36,99 nas zonas leste e sul a R$ 45,90 na zona norte. A maior diferença encontrada foi do filé mignon, que na zona oeste foi encontrado por R$ 48,98, enquanto na zona sul, o mais caro saia por R$ 89,90, uma diferença de R$ 40,92.

Outro corte de primeira, a picanha teve uma diferença de R$ 39,91. O mais caro foi encontrado na zona sul por R$ 89,90, enquanto na zona leste saia por R$ 49,99.

Ainda segundo a pesquisa do IBGE, o principal destaque entre as quedas se deu no grupo das frutas (-5,21%). "Isso tem a ver com a questão climática, já que os três primeiros meses do ano são mais chuvosos e quando começa um clima mais ameno, isso melhora a colheita, e com mais produtos no mercado, mais oferta e os preços caem. Também tem o fator das medidas restritivas, que é das pessoas comprarem menos produtos perecíveis, já que saem menos de casa e compram mais produtos que podem durar”, destaca Pedro Kislanov.

O grupo de alimentação e bebidas teve alta de 0,40% em abril frente a março (0,13%), puxada principalmente pela alimentação no domicílio (0,47%).

Inflação dos alimentos | Alta da carne

  • O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi de 0,31% em abril
  • O resultado ficou 0,62 ponto percentual abaixo da taxa de março (0,93%)
  • No ano, o índice acumula alta de 2,37% e, em 12 meses, de 6,76%, acima dos 6,10% observados nos 12 meses imediatamente anteriores

Carne como vilã

  • O grupo alimentação e bebidas teve alta de 0,40% em abril frente a março (0,13%) puxada pela alimentação no domicílio (0,47%)
  • A maior contribuição veio das carnes (1,01%), que acumulam alta de 35,03% nos últimos 12 meses

As maiores variações dos cortes, segundo a pesquisa, no Brasil, em 12 meses

Cortes Porcentagem (%)
Coxão duro 52,75
Peito 46,17
Músculo 40,9
Lagarto comum 39,57
Acém 38,34
Costela 38,04
Patinho 36,83
Contrafilé 35,73
Coxão mole 34,41
Alcatra 31,92
Picanha 31,81
Cupim 25,61
Filé mignon 23,15
Fígado 21,78

Confira os preços pesquisados

  • Valores em R$, por quilo, dos cortes pesquisados pela reportagem no dia 11 de maio
Preços pesquisados (em R$)
Estabelecimento/ Endereço Acém Alcatra Coxão mole Coxão duro Contrafilé Costela Cupim Fígado Filé mignon Lagarto Músculo Patinho Peito Picanha
Zona Leste
Frigo Central Av. Penha de França, 724 35,99 44,99 41,99 39,99 44,99 24,99 34,99 19,99 59,99 39,99 32,99 39,99 29,99 59,99
Max Carnes R. Sara Kubitschek, 200 33,99 39,99 37,99 36,99 39,99 23,99 33,99 17,99 49,99 36,99 30,99 35,99 26,99 49,99
Zona Oeste
Açougue Boi Legal R. Barra Funda, 44 26,95 42,98 39,98 38,98 45,98 23,95 36,95 19,95 48,98 32,98 28,95 38,98 27,95 54,95
Mercadão de Carnes Marquesa Av. Benedito Andrade, 234 38,99 42,99 39,99 38,99 44,99 24,99 39,99 17,99 49,99 32,99 32,99 38,99 31,99 79,99
Zona Norte
Center Carnes Universal e Assados R. Curuçá, 718 31,99 48,99 42,99 39,99 48,99 25,99 39,99 19,99 64,99 39,9 31,99 39,99 32,99 64,99
Head Prime Carnes Av. Casa Verde, 135 39,9

59,90

49,90 45,90 59,90 39,90 49,90 29,90 69,90 39,90 39,90 49,9 39,90 59,90
Zona Sul
Mascote Carnes Av. Mascote, 469 31,99 44,99 36,99 36,99 44,99 25,99 39,99 19,99 64,99 34,99 34,99 36,99 31,99 74,99
Casa de Carnes Machado de Assis R. Machado de Assis, 314 34,90 59,90 48,90 46,90 59,90 - - - 89,90 46,90 36,90 48,90 - 89,90
Região Central
Frigobrás Av. Rangel Pestana, 2.392 34,99 43,99 39,99 38,99 45,99 24,99 38,99 15,99 49,99 37,99 32,99 39,99 35,99 64,99
Parisienne Parque. D.Pedro 2 R. da Cantareira, 291 31,99 42,99 39,99 39,99 44,99 26,99 39,99 19,99 59,99 34,99 29,99 39,99 34,99 59,99

Fonte: IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); açougues; e reportagem​.

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