Coelhos se tornam bichinhos de estimação e encantam famílias

Fofo e dócil, animal convive até com cachorros e gatos em casas e apartamentos

Elaine Granconato

Símbolo tradicional da Páscoa por representar fertilidade, recomeço e esperança de vida nova, o coelho se torna a companhia de muitas famílias. Alguns até dividem espaço com cães e gatos em casas e apartamentos.Sim, é possível a convivência, desde que respeitado o espaço de cada animal, segundo médicos veterinários.

Ao contrário dos desenhos animados, coelho não come apenas cenoura. Aliás, o legume não é para ser consumido diariamente pelo pet. "De vez em quando, como um petisco, apenas", afirma a veterinária Lucila Pozzi, 29 anos, que tem especialização em clínica e cirurgia de animais silvestres e exóticos.

Alimentação à parte, outros cuidados devem ser tomados pelos donos dos peludos. "Coelho depende do ambiente onde será criado. É animal para viver solto e não preso em uma gaiola. Na residência, alguns espaços devem ser limitados para eles", diz Lucila, com o aval de quem passou o último Réveillon apenas com 20 coelhos hospedados na sua clínica-hotel de animais em São Bernardo do Campo (ABC).

Exatamente o que fez a enfermeira Andréia Sousa Vidal Dias, 38, com Teddy, que há dois anos reina na casa em Americana (127 km de SP). "O segredo é ter um cantinho organizado. Coelho pula e estica as pernas. Não pode ficar preso em gaiola", diz Andréia, ao contar que fez do banheiro de uma suíte vaga o aposento vip do peludo. A filha Aline, 8, aprovou.

Assim como cães e gatos, os peludos dos dentes grandes podem ser adotados. Existem várias instituições que realizam o trabalho, inclusive de resgate dos coelhos descartados nas ruas.

Ex-professor titular da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Durval Antônio Pôrto de Araujo, 63 anos, diz que, em tese, qualquer animal pode ser de estimação. O veterinário não é muito favorável a domesticação de coelhos. Porém, engrossa o coro da adoção de pets. "As pessoas não devem comprar qualquer tipo de animal, afinal, vida não tem preço", afirma.

Alegria

Os irmãos Fernando, 8 anos, e Guilherme Caetano Pires de Oliveira, 11, não deixam de levar o caderninho para anotar todas as recomendações que a veterinária Lucila Pozzi, 29, repassa durante a consulta de Faísca, o coelho de 2 anos e 1 mês da família de São Bernardo do Campo (ABC).

"Ele é como um filho, claro que um pouquinho mais peludo e orelhudo", diz a professora Fabiana Pelassa Caetano Pires de Oliveira, 40.

Diversão também garantida na zona norte, onde Billy recebe beijos e apertos de Lorena, 7, filha da brasileira Eliana e do chileno Osvaldo Santander, ambos de 52.

O coelho chegou há dois anos, após doação. Ele teve de dividir o espaço com o cachorro. "No início, o Billy infernizava a vida do Copihue", diz Santander.

Abandono

É nesta época que ocorre o maior número de abandono de coelhos nas ruas. Tudo porque muita gente compra o animal para presentear as crianças na Páscoa, como se fosse brinquedo descartável.

"Infelizmente, isso é real e ocorre com mais frequência do que se possa imaginar", afirma a arquiteta mineira Santuzza Affonseca, 50 anos, uma das fundadoras do GAC (Grupo de Apoio ao Coelho), instituição criada há três anos com a proposta de resgatar os peludos em situação de abandono ou negligência.

Nos últimos dias, Santuzza conta que chegaram pedidos inusitados pelas redes sociais do GAC (Facebook e Instagram). "Uma pessoa queria, simplesmente, alugar um coelho para festa de aniversário de criança. Outra moça queria o animal para um jantar de Páscoa com o namorado", contou, perplexa.

A proposta do grupo, que tem cerca de 40 voluntários espalhados pela capital, ABC e outras cidades do estado, como Campinas (93 km de SP), é incentivar a adoção. No entanto, nesta semana, até isso foi interrompido, segundo a arquiteta, que possui quatro coelhos adotados na casa onde mora na Granja Viana, em Cotia (Grande SP).

Até a última quinta-feira, 50 coelhos abandonados resgatados pelos voluntários do GAC, entre filhotes e adultos, estão disponíveis para adoção e hoje em abrigos.

A Cobasi, com 79 lojas no país voltadas ao mercado animal, resolveu pela primeira vez paralisar a venda de coelhos nesta época.

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