Tempo curto em semáforo para atravessar põe idoso em risco na zona sul de SP

São 18 segundos no total para a pessoa dar em média 20 passos para ir ao outro lado da rua

Mariangela de Castro
São Paulo

Atravessar a rua Monsenhor Manuel Vicente, na Vila Mariana (zona sul) é perigoso para os pedestres, em especial para aqueles que frequentam o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Idoso da região.

A reportagem do Agora esteve no local e cronometrou 18 segundos para atravessar três faixas de veículos. Destes 18, em oito deles o sinalizador está verde e, nos outros dez, o sinalizador é vermelho piscante. Já os carros, têm dois minutos e 12 segundos para passar.

A maioria dos pedestres que atravessa a faixa é composta por idosos pacientes do AME. Eles gastam em média cerca de 20 passos para chegar à outra calçada. A aposentada Vera Souza, de 70 anos, comenta que os pacientes, especialmente aqueles com mobilidade reduzida, são submetidos a uma situação "muito arriscada".

"Tem que ser mais ligeiro, esperar o volume de carros diminuir e tentar avisar o motorista que você ainda está atravessando. É muito perigoso", comenta.

Neusa Maria Santana, aposentada de 69 anos, também reclama que o tempo para atravessar a rua é pequeno. "Eu uso bengala, então não chego nem na metade da faixa e o farol já está piscando. Quando fecha para os pedestres também demora muito para abrir novamente, haja paciência para ficar lá esperando o sinal verde", diz.

O asfalto da rua Monsenhor Manuel Vicente foi recapeado no último final de semana, segundo funcionários do AME, e a sinalização horizontal (faixa de pedestres) ainda não foi refeita.

"Já tivemos que chamar o resgate para uma senhora que ainda estava andando e foi atingida por um carro", conta um dos guardas do ambulatório.

Aos 88 anos, a aposentada Clélia Cherubine diz que sempre "se agarra no braço da filha" para conseguir atravessar. "Dependemos da boa vontade dos carros e motos de parar ou de reduzir a velocidade."

Resposta

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, sob gestão Bruno Covas (PSDB), diz que “que o tempo de travessia é baseado no levantamento em campo, da média dos tempos, dentro de uma amostragem significativa, realizadas em dias e horários variados, os quais estão incluídos todos os usuários”.

Também diz que, “na nova programação, o verde passa a indicar aos pedestres que a travessia pode ser iniciada e tem duração mínima de 5 segundos”.

"Na rua Monsenhor Manuel Vicente, em função da localização da AME nas proximidades, esse local também foi incluído e recentemente o tempo de verde foi elevado de 5 para 8 segundos e o de vermelho piscante, de 8 para 10 segundos, perfazendo o total de 18 segundos, além, de 3 segundos de vermelho de segurança ( 2 segundos antes do pedestre receber o verde e iniciar a travessia e 1 segundo após o término do vermelho piscante ), período em que ambos os movimentos não recebem o verde para prosseguir mas o pedestre ainda pode concluir a travessia."

Quanto ao recapeamento da rua, a gestão diz que "houve recentemente a conclusão do recapeamento asfáltico, em função de obras realizadas pela Sabesp. A sinalização de solo será implantada na sequência, cujo projeto já se encontra com o executante".
 

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.