Vendedor acusa seguranças de o agredir em feira LGBT de SP

Violência ocorreu em evento cultural na região central da capital paulista

Alfredo Henrique
São Paulo

O vendedor Rafael Tavares, 25 anos, afirma que foi agredido por dois seguranças, durante a feira Cultural LGBT, nesta quinta-feira (20), na Praça da República (região central da capital paulista). O evento integra a agenda da 23ª Parada do Orgulho Gay, que ocorre neste domingo (23).

Movimentação na 22ª edição da Parada do Orgulho LGBTQ, na Avenida Paulista, na região central de São Paulo - Bruno Santos 03.jun.2018/ Folhapress

Segundo Tavares, ele estava na feira, aguardando para encontrar o namorado. “De repente, uns três ou quatro seguranças me abordaram e pediram para eu os acompanhar”, relembra. O vendedor afirma que foi levado até uma tenda, onde foi agredido verbal e fisicamente, por dois seguranças. A organização da feira disse que violência “trata-se de um caso isolado”.

O vendedor foi levado até uma tenda, onde afirma que havia mais dois jovens. Segundo Tavares, os seguranças afirmaram que, ou ele, ou o casal que estava no local, teriam roubado documentos. “Neguei e os meninos, parece que era um casal, também negaram”.

Na sequência, começaram as agressões, a princípio verbais e, depois, físicas. O vendedor disse ao Agora que foi agredido com tapas no rosto. “Me chamaram de viado. Chegaram a me derrubar no chão. Machuquei meu pé e joelho [com a queda]”, disse.

Após a violência, Tavares conseguiu ligar o gravador de seu celular. Segundo o áudio, ao qual a reportagem teve acesso, um dos seguranças ameaça: “Se eu pegar vocês pisando, mijando fora do penico, vou cortar [vocês] com faca no meio. Está entendendo o que estou falando? Estou sendo claro?”.

O vendedor registrou um boletim de agressão e ameaça no 2º DP (Bom Retiro).

Resposta

A organização da Feira Cultural LGBT disse que, em 19 anos de evento, é a primeira vez que acontece um caso de violência. “Trata-se de um caso isolado. Não sabemos se foi um segurança contratado [pela organização] ou outros”, diz trecho de nota.

A nota ainda diz que o caso é verificado e que todas as medidas cabíveis são tomadas “pois tal agressão é inadmissível”, finaliza o documento.

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