Superlotação da linha 11 da CPTM é transtorno para passageiros

Para pegar o trem, usuário encara uma operação de guerra; banheiros também têm problemas

Elaine Granconato

Com média de 757 mil passageiros por dia, a linha 11-coral da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que liga a estação Luz (centro) à Estudantes, em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), foi classificada como uma das mais superlotadas do mundo ao longo do dia, de acordo com o Google Maps.

Superlotação na estação Luz da CPTM - Ronny Santos/Folhapress

O sofrimento dos usuários foi registrado pela reportagem na última terça-feira (20), ao percorrer os 23,3 quilômetros da linha 11, conhecida também como Expresso Leste, a segunda mais extensa da CPTM. 

O congestionamento de pessoas nas plataformas e dentro dos vagões em horário de pico é imensurável, aliado à situação desumana.

A linha traz ainda outros problemas de infraestrutura nas estações: paredes, grades e bancos com pinturas desbotadas ou descascadas e falta de piso tátil. Da Luz até Estudantes, a viagem durou uma hora e quatro minutos.

Mas é o trem lotado que incomoda muita gente na linha 11, principalmente passageiros que moram ou trabalham na zona leste.

Caso do operário Manoel da Silva Gomes, 52 anos, de São Miguel Paulista. "Para entrar ou sair, a gente acompanha o embalo", diz ele, tentando explicar como usa o trem diariamente para chegar ao trabalho. Na estação Tatuapé, sentido Luz, às 7h10, ele aguardou por três trens para conseguir entrar em um dos vagões.

Para a mulher, a situação é pior ainda. "A sensação é de violação, uma vez que a gente se sente tocada", afirma a bancária Rejane Gomes dos Santos, de Guarulhos (Grande SP). Ela pega todos os dias o trem no Tatuapé, exatamente no horário do pico, entre 6h e 10h, que foi apontado pelos passageiros como o pior.

Outro fato negativo é a ausência de banheiros femininos e masculinos dentro de quatro estações de trem, do total de 16. Caso o passageiro precise, tem de utilizar os sanitários dos terminais de ônibus, localizados pós-catraca.

Entre elas, Corinthians-Itaquera e Dom Bosco. Nesta última o passageiro tem de fazer uma caminhada e tanto, com direito à subida e descida de degraus, até chegar ao banheiro. Muitos sem papel higiênico.

A situação é mais grave na estação Brás Cubas, que não possui banheiro --nem dentro nem fora. "Aqui não tem. Só na próxima", diz a segurança, sem graça, ao ser questionada.

Resposta

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), do governo João Doria (PSDB), diz, em nota, que, para melhorar a viagem dos passageiros da linha 11-coral, toda a frota foi renovada em janeiro com trens novos. A atual gestão também executa obras no sistema de energia, que já permitiram acabar em abril, definitivamente, com a transferência na estação Guaianases, antiga reivindicação dos moradores das cidades do Alto Tietê. 

Nas estações em que não há banheiro público, o passageiro pode solicitar a um funcionário para usar o sanitário interno. Está em elaboração o projeto de instalação de sanitários na estação Braz Cubas, que foi construída em 1914.

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