Zoo de São Paulo tem lixeira quebrada e lugar interditado

Falta de manutenção e de zeladoria chama a atenção de visitantes do local, que será privatizado

Elaine Granconato
São Paulo

Prestes a ser entregue à iniciativa privada, o Zoológico de São Paulo, o maior da América Latina e referência em pesquisas científicas, apresenta problemas de infraestrutura e de  zeladoria.

O local, na Água Funda (zona sul) atualmente tem áreas interditadas, alamedas esburacadas, lixeiras plásticas quebradas, bebedouro entupido e espaços em manutenção. O preço para entrar no zoo é R$ 40 (para adultos).

Há ainda placas de identificação dos animais, como do tamanduá-bandeira, do cachorro do mato e do flamingo pequeno, quebradas ou com parafusos soltos.

Alguns espaços onde os animais ficam apresentam infiltração nas paredes, com pintura desbotada. Como é o caso do chão da trilha da Kinha, que conta a história do mico-leão-preto.

A reportagem do Agora esteve no últimos dia 15 no local, que tem quase 900 mil metros quadrados de área de mata atlântica e abriga 2.149 animais.

Com 61 anos de vida, o zoológico, que pertence ao governo do estado, gestão João Doria (PSDB), no entanto, não é só problemas.

Quem paga ingresso se depara com espécies raras ou ameaçadas de extinção, tais como, tigre-de-bengala branco e mico-leão-preto.

Mas não encontrará, por exemplo, o elefante-branco e o rinoceronte-branco. Os dois espaços do zoo passam por reforma. 

Presidente da AZAB (Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil), a veterinária Cláudia de Souza apontou que o manejo se faz necessário, mas deve ser planejado. “Até para que o atrativo não tire o brilho da visita”, diz a profissional, que trabalha no Zoológico Municipal de Guarulhos (Grande São Paulo). 

A veterinária, porém, diz que, quando o animal decide não aparecer na visão do público, isso deve ser respeitado pelo visitante.

Visita

No feriado da festa da padroeira da cidade no último dia 15, a família Ayres deixou Socorro (134 km de SP) para conhecer o Zoológico na capital. E não se arrependeu.

“Gostamos do contato com os animais e a natureza”, afirmou o designer gráfico Ivandro Nascimento Ayres, 33 anos, junto da mulher, a engenheira civil Joselaine, 27, e também do filho Miguel, 3.

A cunhada do designer, a professora Josiane Moreira Machado Almeida, 30, também se divertiu com o filho Erick, 2. Ambos moram na cidade de Pinhalzinho (112 km de SP) e visitaram o parque na capital pela primeira vez. (EG)

Modelo

O Zoológico de São Paulo é considerado modelo em pesquisa científica da fauna silvestre ameaçada de extinção. “É um trabalho de excelência, além de ser realizado por equipe técnica e de gestão extremamente competente”, disse o vice-presidente da AZAB, o biólogo e especialista em zoologia Cláudio Hermes Moas.A veterinária Cláudia Almeida Igayara de Souza concorda. “Além de ser um centro de ponta para conservação da fauna, o zoológico paulistano ainda forma novos pesquisadores”, disse. A parceria é com a Universidade Federal de São Carlos.O parque tem um trabalho de reprodução de espécies raras ameaçadas de extinção. Em 13 de maio de 2015, nasceu no Zoo de São Paulo filhote de arara-azul-de-lear, o primeiro registrado em cativeiro do Hemisfério Sul. 

Resposta

O governo do estado diz, em nota, que busca conceder as áreas turísticas à iniciativa privada para que “os espaços sejam revitalizados e modernizados”. Além de oferecer mais atrativos, seria forma de desonerar a administração pública, a fim de que “os investimentos ocorram em áreas prioritárias”.

Segundo o governo, a preservação e pesquisa continuarão sob responsabilidade estatal. Sobre zeladoria, diz que faz manutenções periódicas.

Veja a íntegra da nota do governo

O Governo do Estado busca conceder as áreas turísticas à iniciativa privada para que os espaços sejam revitalizados e modernizados, ofereçam mais atrativos a população e desonere a administração pública, a fim de que os investimentos ocorram em áreas prioritárias. Cabe ressaltar que a preservação ambiental e pesquisa continuam integralmente sob responsabilidade do Estado.

O Projeto de Lei para concessão do Zoo, Zoo Safari e Botânico foi aprovado na Assembleia Legislativa, e as próximas etapas contemplam estudos técnicos, operacionais e econômico-financeiros. Após a definição da modelagem serão realizadas audiências e consultas públicas. A previsão é que o edital seja lançado no próximo ano.

O projeto de concessão não inviabiliza a manutenção dos espaços. O investimento em infraestrutura prioriza o bem-estar dos animais. Por isso os espaços do rinoceronte, elefante e cachorro do mato estão em reforma. Durante a obra, os bichos ficam em outros recintos ou nos espaços de manejo chamados de cambiamento.

Uma das áreas de piquenique está passando por reforma para ampliar a atração “O mundo dos dinossauros”, que deve ser concluída até novembro. O outro espaço também está em obra, desde a última semana, em razão da queda de uma árvore.

O cinema 4D dará espaço a um novo projeto de educação em paleontologia. A implantação já está em andamento com previsão de conclusão em outubro.

Na área de alimentação, o contrato com o permissionário foi encerrado e uma nova licitação está sendo preparada. 

Sobre as ações de zeladoria (lixeiras, placas, bebedouros e asfalto), as equipes realizam manutenções periódicas, de acordo com a disponibilidade orçamentária.

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