Descrição de chapéu Zona Leste

Jogo de tabuleiro leva alunos a conhecerem a história de SP

Adotado em escola municipal da zona leste, objetivo é proporcionar diversão ao aprendizado

Marcelo Mora
São Paulo

Aprender se divertindo. Ou, então, divertir-se aprendendo. Um jogo de tabuleiro está ajudando alunos de uma escola da zona leste a perceberem melhor a realidade na qual vivem ao mesmo tempo em que aprendem sobre a história de ruas, patrimônios, personalidades e até de temas ligados ao entretenimento da cidade.

A partir de uma parceria com o coletivo "Passeando pelas Ruas", que dá o nome do jogo, a direção da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Virgilio de Mello Franco, no Jardim Helena, decidiu utilizá-lo como recurso pedagógico, principalmente no ensino de ciências humanas, como geografia e história, a partir de junho deste ano.

"A ideia é nos apropriarmos do jogo para adaptá-lo para utilização pelos alunos de diferentes séries. Testamos com os da 9ª série e todos gostaram", afirmou o diretor da escola, Edílson da Silva Cruz.
Basicamente, o tabuleiro exibe o mapa de São Paulo cortado por trajetos que simulam as linhas do metrô. As peças utilizadas pelos jogadores representam símbolos da capital, como o Palácio dos Bandeirantes, o edifício Martinelli e a escultura da mão do Memorial da América Latina.

Além disso, conta com cerca de 240 cartões com nomes de logradouros (ruas, avenidas, praças, etc.), patrimônios, personalidades e de entretenimentos. Em sua vez, cada jogador retira um cartão, com ao menos seis dicas, que vão sendo escolhidas pelos adversários. A cada acerto, avança uma casa. Se ninguém acertar, é o dono do cartão que avança uma casa.

A cada avanço –ou retrocesso, já que há pegadinhas nas dicas–, a animação cresce. "Dividimos em grupos de jogadores, porque fica mais fácil compartilharem o conhecimento. Às vezes, um sabe uma dica e outro aluno sabe a outra", disse Cruz.

No final, o que importa é o resultado. "Depois do jogo, nos questionaram sobre quando iríamos fazer um rolezinho no centro. Ajuda a despertar a curiosidade deles para conhecer os lugares, conhecer a história deles."

Motivação para aprender

Os alunos da Emef Virgilio de Mello Franco disseram que ficaram mais motivados em buscar conhecimento sobre São Paulo após o jogo. "Dá vontade de sair daqui e ir passear nestes lugares", disse Brenda Katellin de Araújo Coelho, 15 anos, aluna da 9ª série.

"O que eu percebi é que a gente mora em São Paulo e a gente não conhece São Paulo. A mobilidade é muito difícil daqui para lá [centro]", ressaltou Levi Gomes Santos, 14. "É difícil [passear], por causa de condições financeiras e da nossa idade", reforçou Higor da Silva Barros de Souza, 15.

Com a parceria com o coletivo, os alunos da escola da zona leste já puderam conhecer lugares como o prédio da Câmara dos Vereadores e o museu Catavento, ambos no centro, e o planetário do Parque do Ibirapuera, na zona sul. Dois lugares símbolos da cidade, no entanto, parecem ser o "sonho de consumo" desses alunos. "Quero conhecer o Masp e a avenida Paulista", revela Brenda

Material será distribuído na zona leste

O grupo Passeando pelas Ruas foi criado em 2014 com o projeto de realizar atividades com moradores de São Miguel Paulista (zona leste) em pontos históricos de São Paulo, de acordo com o historiador Philippe Arthur dos Reis, um de seus criadores. "A partir da experiência com este projeto, foi surgindo a ideia do jogo, que nada mais é do que uma reflexão sobre a história da cidade", explicou.

Por enquanto, o jogo foi testado apenas com os alunos da Emef Virgilio de Mello Franco, mas já há pedidos de outras escolas. "Foi a primeira escola, porque já tínhamos feito atividades com eles. Mas, ao menos 40 escolas, todas na zona leste, já nos solicitaram o envio. No total, foram produzidas 100 peças", disse.

O mais importante, de acordo com Reis, é que é possível fazer adaptações, conforme a necessidade ou a série em que será aplicado. "São 240 cartões com dicas, mas a própria escola pode acrescentar novos", afirmou o historiador.

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