Seis PMs são afastados do serviço operacional após mortes em Paraisópolis

Porta-voz da corporação diz que até o momento "não há nenhuma evidência de erro"

São Paulo

Seis policiais militares foram afastados dos serviços operacionais enquanto a morte de nove jovens na madrugada deste domingo (1º), na favela de Paraisópolis (zona sul da capital paulista), é investigada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM. Os jovens morreram após serem pisoteados durante uma intervenção da Polícia Militar na festa que reunia cerca de 5.000 pessoas. ​

O corpo de Denys Henrique Quirino da Silva, 16, é enterrado no cemitério da Nova Cochoeirinha, na zona norte da capital paulista. O garoto foi morto após operação policial em baile funk na comunidade de Paraisópolis - Danilo Verpa/Folhapress

A Polícia Militar confirmou a informação nesta segunda-feira (2), porém, usando o termo “preservados” aos policiais que ficarão fora das ruas. “Os PMs não serão afastados, mas sim preservados [dentro do batalhão] neste momento. Não há, até agora, nenhuma evidência de erro por parte dos policiais”, afirmou o tenente-coronel Emerson Massera, porta-voz da corporação

A Ouvidoria das policias (Civil e Militar) pediu o afastamento dos seis PMs, nesta segunda. "É preventivo afastar os policiais envolvidos na ocorrência em razão da complexidade dela”, afirmou o ouvidor Benedito Mariano. 

Parentes de vítimas e sobreviventes acusam os policiais militares de encurralarem os frequentadores do baile e depois agredi-los em vielas. 

PMs afirmam que perseguiam suspeitos em uma moto. Eles teriam entrado no baile e atirado contra os policiais, causando correria. 

Da esq. para dir. em cima: Denys Henrique Quirino da Silva, 16; Gustavo Cruz Xavier, 14; Gabriel Rogério de Moraes, 20; Mateus dos Santos Costa, 23; Da esq. para dir. em baixo: Bruno Gabriel dos Santos, 22; Dennys Guilherme, 16; Marcos Paulo, 16; Luara Victoria de Oliveira, 18 e Eduardo Silva, 21; Jovens mortos na madrugada de domingo(1), durante uma ação da PM em um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo - Fotos: arquivo pessoal e reprodução

A Polícia Militar afirmou que está investigando possíveis excessos e que um inquérito na Polícia Civil apura a o caso. 

Defensoria oferece ajuda 

A Defensoria Pública de São Paulo disse em nota que está à disposição dos parentes das nove vítimas que morreram em Paraisópolis, para a realização de atendimentos individualizados e em domicílio. 

O órgão também destacou que organiza, para os próximos dias, um plantão de atendimento na própria comunidade onde houve a tragédia, para atender moradores da região. "Após esses passos iniciais, a Defensoria irá analisar as medidas cabíveis, incluindo eventuais pedidos de indenização e de atendimentos psicológicos, sem prejuízo do acompanhamento das investigações e apurações já em curso sobre o grave episódio", diz trecho de nota. 

A Defensoria ainda afirma que seu Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos acompanha outros casos em que pessoas ficaram gravemente feridas por conta de lesões supostamente provocadas por policiais em festas de rua. 

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