Exames apontam tumor no prefeito Bruno Covas

Problema foi apontado no trato digestivo do prefeito de São Paulo, que está internado

William Cardoso
São Paulo

O prefeito Bruno Covas (PSDB), 39 anos, teve diagnosticado um tumor no trato digestivo em exames realizados no sábado (26), no Hospital Sírio-Libanês (na Bela Vista, região central de São Paulo).

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O prefeito Bruno Covas durante inauguração da UPA (Unidades de Pronto-Atendimento) Tito Lopes em São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista - Jardiel Carvalho - 20.9.2019/Folhapress

Boletim médico do hospital, divulgado pela prefeitura na noite neste domingo (27), afirmou que o prefeito de São Paulo teve diagnosticado um quadro de tromboembolismo pulmonar e um novo exame mostrou o surgimento do tumor no trato digestivo.

O infectologista David Uip, um dos médicos que está cuidando do prefeito,  afirmou que a tumoração é intraperitonial –peritônio é uma membrana que envolve intestino e estômago, separando-os dos músculos da região abdominal.

Na noite deste domingo (27), o prefeito passaria por laparoscopia, procedimento em vídeo para a coleta de material, que passará por biopsia. O resultado dos exames anatomopatológicos (diagnóstico de doença a partir do material coletado) demora alguns dias, diz o boletim do hospital. Não há previsão de alta.

No dia 19, Covas sentiu-se mal e procurou o Hospital Albert Einstein (zona sul), onde foi diagnosticada uma erisipela (infecção de pele), e ele começou a tomar antibióticos. 

Na noite de quarta-feira (23), Covas deu entrada no Sírio-Libanês e ficou internado. Na sexta (25), foi divulgado que ele teve diagnosticada uma trombose das veias fibulares,  que ocorre quando veias das pernas apresentam algum coágulo.

Uip, que foi secretário estadual da Saúde no governo Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ao Agora que, na quarta-feira, quando procurou seu consultório, o prefeito aparentava estar com a saúde em dia.

"Ele faz academia cinco vezes por semana, está comendo bem, não perdeu peso. Tudo certo", disse. "É algo totalmente incomum, porque ele não apresentava nada demais, nem no pulmão", completou.

Segundo Uip, é precipitado afirmar que o prefeito tem algum tipo de câncer. "Tumoração é tudo que aumenta. Pode ser benigno ou maligno", explicou.

O médico disse que o resultado da laparoscopia pode indicar com precisão o diagnóstico. "Hoje em dia se pesquisa em detalhe, até fatores genéticos. É algo muito sofisticado."

Além de Uip, Covas está sendo tratado pelos médicos Roberto Kalil Filho, Tulio Eduardo Flesch Pfiffer, Artur Katz e Raul Cutait.

Causas

Segundo o pneumologista Gustavo Prado, do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP), o tromboembolismo pulmonar é obstrução provocada por coágulo, que normalmente se forma em veias de quadril ou pernas.

"Isso acontece mais em algumas situações de risco, como pessoas que ficam imobilizadas por muito tempo, como em pacientes hospitalizados. Mas pode acontecer também sem essas condições, sem essas causas aparentes."

Prado afirmou que tumores estão entre as causas não aparentes. "Especialmente nestes pacientes que não ficaram hospitalizados. Embora não seja obrigatória, a investigação de tumores é interessante", disse.

O pneumologista afirmou que o tromboembolismo não é muito comum. "Mas é uma das principais causas de óbito no mundo e, potencialmente, fatal. Em algumas dessas situações, esse entupimento pode levar à insuficiência respiratória aguda ou falência cardíaca."

O médico disse que uma trombose pode ser confundida com erisipela, como diagnosticado inicialmente. "Às vezes, uma trombose pode deixar também uma vermelhidão, que pode se confundir com uma erisipela", afirmou.

Segundo nota da prefeitura, emitida na noite deste domingo, os médicos que cuidam do prefeito vão dar uma entrevista coletiva no início da tarde desta segunda-feira (28).

Na noite deste domingo, o governador João Doria (PSDB) publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Covas, que foi seu vice quando ele assumiu a prefeitura em 2017. "Minha fé e oração ao Bruno Covas, amigo e parceiro de ideias e princípios. Que ele se recupere o mais rápido possível", escreveu.

Sucessão

Até sexta (25), Covas continuava à frente da prefeitura, despachando com os secretários de dentro do hospital. 

Ainda não há uma definição sobre um possível pedido de licença e afastamento de Covas —o que precisa ser ratificado pela Câmara.

Caso isso ocorra, quem assumiria a administração municipal é o presidente do Legislativo municipal, vereador Eduardo Tuma (PSDB), uma vez que Covas foi eleito vice-prefeito na chapa do atual governador e ex-prefeito João Doria (PSDB).

De acordo com a Lei Orgânica do Município de São Paulo, em caso de impedimento ou vacância dos cargos de prefeito e vice-prefeito, e tendo já decorrido dois anos de mandato, o presidente da Câmara assume por 30 dias. 

Após esse período, uma eleição indireta deve ser realizada pela Câmara para os dois cargos, com a indicação de apenas uma chapa por partido.

Cabe à Mesa Diretora editar as regras que regulamentarão esse processo eleitoral. E os eleitos, para prefeito e vice, devem cumprir apenas o período restante do mandato.

Covas está no penúltimo ano de mandato. (com Folha)

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