Motorista de aplicativo morre após tentativa de assalto em frente a sua casa

Vítima saiu para pegar chinelo em carro, quando foi abordada por três ladrões na zona sul de SP

Alfredo Henrique
São Paulo

Um motorista de aplicativo de 24 anos morreu na manhã desta sexta-feira (4) após ser baleado em uma tentativa de assalto em frente à sua casa, por volta das 23h50 de quinta-feira (3), no Jardim Ângela (zona sul da capital paulista). Três suspeitos de participarem crime não haviam sido identificados até a publicação desta reportagem. 

O motorista de aplicativo Anderson Alves Silva, 24 anos, morreu por volta das 5h50 desta sexta-feira (4) após ser baleado em uma tentativa de assalto, por volta das 23h10 de quinta-feira (3) no Jardim Ângela (zona sul da capital paulista) - Reprodução/Redes Sociais

Segundo uma prima de Anderson Alves Silva, uma cabeleireira de 24 anos, após concluir suas corridas do dia, ele levou uma pizza para casa para dividir com a mãe. 

Após ambos jantarem, Silva foi buscar um par de chinelos que ficou dentro de seu Hyundai HB20 branco. Ele entrou no carro, ainda segundo a prima, para ajeitar melhor o veículo na vaga onde estava. Neste momento, três pessoas, em duas motos, teriam se aproximado e anunciado o assalto. “Meu primo não tinha saído com dinheiro, nem celular. Em seguida, os bandidos atiraram contra ele”, relatou a parente. 

Um vizinho testemunhou o crime de uma laje e jogou tijolos contra os bandidos, que fugiram do local sem levar nada. O motorista foi encaminhado ao hospital M'Boi Mirim, mas não resistiu. 

No mês passado, pelo menos cinco motoristas de aplicativos acabaram mortos em ações criminosas em duas semanas. Na madrugada do dia 29, um condutor que não teve nome e idade revelados, foi morto a tiros em Suzano (Grande SP). Neste mesmo dia, um profissional foi espancado e morreu posteriormente. Os demais casos foram nos dias 15 e 18, foram em Itaquaquecetuba (Grande SP)na capital e em Diadema (ABC)

A prima de Silva afirmou que no carro do parente havia um adesivo indicando que ele prestava serviço para empresa de aplicativo de passageiros, de uso obrigatório em São Paulo. Segundo ela, isso poderia ter chamado a atenção dos ladrões para assaltar a vítima. 

A família do condutor assassinado conta com mais 12 motoristas de aplicativo. 

A cabeleireira afirmou que a família de Silva organiza um protesto reivindicando mais segurança a motoristas de aplicativo. O ato será feito neste sábado (5) durante o velório do motorista, em Itapecerica da Serra (Grande SP). 

Silva era solteiro e deixa uma filha de seis anos.

Resposta 

A Polícia Militar afirmou ter reforçado o policiamento nas áreas com maior incidência de casos, envolvendo motoristas de aplicativo de transporte, e que está desenvolvendo operações específicas em diferentes regiões para fiscalizar veículos com passageiros e aqueles que utilizam adesivos de aplicativos.

A PM acrescentou que, até o momento, três criminosos envolvidos com esses crimes já foram presos e outros três, sendo dois menores, já foram identificados e que policiais fazem rondas para prendê-los. Todos os casos são investigados pela Polícia Civil.

A Secretaria de Municipal de Mobilidade e Transportes informou em nota que os adesivos no veículo indicando para quais operadoras o motorista trabalha o diferencia de um transporte clandestino, além de ser um item essencial para a segurança do usuário, pois indica que aquele condutor está com a documentação em dia e que realizou os cursos necessários para prestar o serviço.

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