Mulher é resgatada em tribunal do crime em favela do litoral paulista

Ela é acusada de ter participado da morte do filho de 1 ano e três meses

São Paulo

A polícia impediu que uma auxiliar de cozinha de 21 anos fosse morta pelo tribunal do crime, por volta das 15h20 de quarta-feira (8), em São Vicente (65 km de SP).

A mulher é acusada de participação na morte do próprio filho, de um ano e três meses, ocorrida dois dias antes em Praia Grande (71 km de SP). 

O padrasto do bebê, um gráfico de 22 anos, permanece preso acusado pelo homicídio triplamente qualificado da criança. 

Policiais militares realizavam ronda pela avenida Sambaiatuba, em São Vicente, quando avistaram três homens, armados com duas pistolas e um fuzil, em frente a um barraco da favela do Charmes. Ao ver a PM, o trio fugiu correndo e não foi mais localizado, segundo o boletim de ocorrência. 

Dentro do barraco estava a auxiliar de cozinha. Em depoimento, ela afirmou que foi ao local procurando uma tia, após ser solta pela Justiça na terça-feira (7), depois de passar pela audiência de custódia. 

Ela não encontrou a parente e, ainda segundo relatou à polícia, foi acolhida por uma mulher. Por conta da repercussão da morte da criança, alguns moradores reconheceram a auxiliar e começaram a ameaçá-la. 

Na quarta, criminosos mantiveram a mulher em cárcere privado, dentro do barraco em que estava hospedada, enquanto o caso dela era analisado por um tribunal do crime. A PM, no entanto, chegou antes que a “sentença” da auxiliar fosse decretada pelos bandidos.

O crime 

Na segunda-feira (6), a criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento Samambaia, em Praia Grande, já morto, com hematomas por todo o corpo e com marcas de mordidas humanas no rosto. Ele foi encaminhado ao local pelo padrasto e pela mãe, que também levaram consigo o irmão do garoto, de 5 anos. 

No hospital, o padrasto afirmou que o menino “caía muito em casa", para justificar os hematomas da criança. Sobre as marcas de mordida, afirmou que foram feitas por um filhote de cachorro, com o qual a vítima brincou no dia do crime. 

O corpo médico da unidade, no entanto, constatou que as marcas eram de mordida humana, segundo boletim de ocorrência. O irmão do menino também afirmou, informalmente, que o padrasto teria mordido o rosto da vítima, no dia da morte da criança. 

Na delegacia, a mãe e o padrasto contaram versões diferentes sobre os ferimentos da criança, segundo a polícia. Por conta disso, o homem foi preso em flagrante e indiciado por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, emprego de meio cruel, e pela vítima trata-se de uma criança, sem chance de defesa). A mãe foi indiciada por falso testemunho. Os dois negam o crime.

O irmão também apresentava marcas de violência, na cabeça e testa. Ele foi acolhido, por meio de uma medida de proteção, feita pelo Conselho Tutelar.  

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