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Morador de rua é eletrocutado durante temporal no centro de SP

Homem de 22 anos tentou pular um gradil próximo a um poste na avenida Rio Branco e morreu

São Paulo

Um morador de rua de 22 anos, natural de Goiânia, mas que vivia na capital paulista, foi eletrocutado na região central, durante temporal da madrugada desta quinta-feira (9).

Pouco antes, uma mulher de 38 anos foi encontrada morta presa na estrutura metálica de uma empresa em Ferraz de Vasconcelos (Grande SP) --ela teria sido arrastada pela chuva.

Desde o início do ano já são três mortes por causa das chuvas de verão. No dia 2, um aposentado de 51 anos morreu após cair em um córrego em Guarulhos.

O morador de rua Kaique Moraes da Silva teria recebido a descarga elétrica, após pular gradil metálico no canteiro central da avenida Rio Branco, altura do 1.269, Santa Cecília, segundo boletim de ocorrência.

Ao lado do gradil havia um poste metálico de iluminação pública, além de um ponto de ônibus com cobertura e bancos, instalado no sentido bairro-centro. Chovia bastante, segundo o documento policial.

O poste é de responsabilidade do Ilume (Departamento de Iluminação), vinculado à prefeitura.

Policiais militares chegaram ao local da ocorrência, quando encontraram Silva caído, com os pés encostados na grade metálica. Médico do resgate do Corpo de Bombeiros, que chegaria depois, confirmou a morte. O jovem havia completado 22 anos na véspera.

A vítima estava acompanhada de José Carlos Cândido, 50, também morador de rua e que dividia a parceria com a coleta e venda de materiais recicláveis.

Segundo Cândido declarou no boletim, ele foi o primeiro a pular. Levou um "choque, mas conseguiu se desvincilhar da grade", ao contrário de Silva.

O delegado Antônio José Carvalho, do 2º Distrito Policial, disse que a polícia quer saber se a vítima morreu em decorrência da eletroplessão ou por outras causas.

O morador de rua foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) central para exames necroscópico e toxicológico, entre outros. Nenhum parente havia sido localizado nesta quinta.

Professor diz que é preciso esperar perícia

O professor Edval Delbone, 59 anos, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (ABC), diz que uma descarga elétrica ocorre por incidência de raios ou pela fiação interna do poste de iluminação com deficiência de aterramento.

"São vários parâmetros para análise da perícia técnica neste caso. Ainda não dá para identificar a causa da morte", diz o professor.

Porém, no caso do poste próximo à vítima ter algum dano na fiação interna e não estar bem aterrado, a descarga se dá pelo corpo da pessoa. "Com chuva agrava, porque a umidade do corpo aumenta a corrente elétrica." Delbone não descarta a possibilidade de um raio ter provocado a descarga.

O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) registrou 7.637 raios na Grande SP nesta quarta-feira.

Toda a capital foi atingida

A chuva ocorrida na quarta-feira (8) e que avançou a madrugada desta quinta atingiu a capital de forma generalizada e não em pontos isolados, segundo o meteorologista Michael Pantera, do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências).

O que colocou as cinco regiões de SP em estado de atenção por cerca de quatro horas. Choveu 33,2 milímetros, que representam 13% da média mensal de janeiro (258,7 milímetros). 

Os bombeiros receberam 210 chamados no geral

Respostas

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), aguarda a conclusão do laudo pericial da Polícia Civil. 

O Ilume (Departamento de Iluminação Pública) notificou o Consórcio Ilumina SP, responsável pela manutenção dos postes metálicos, para manifestação em 24 horas, e a inspeção nos 45 mil postes metálicos.

A Ilumina SP diz que assim que a empresa foi acionada a energia foi desligada, com o objetivo de eliminar qualquer possibilidade de descarga elétrica, e que isolou o local.

A concessionária de energia Enel disse que o poste pertence ao Ilume.

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