Na onda do Oscar: conheça outros documentários brasileiros

Indicação de "Democracia em Vertigem" chama a atenção para a produção nacional

Cena do documentário "Cabra Marcado para Morrer", do cineasta Eduardo Coutinho - Divulgação
São Paulo

A indicação de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, ao Oscar de melhor documentário, chamou a atenção para o gênero, dono de uma produção sólida no país e com um representante entre os grandes documentaristas do mundo, Eduardo Coutinho.

Trabalhando com cinema desde jovem, Coutinho estudou cinema e montagem na França, no final dos anos 1950. Ao voltar ao Brasil, já nos anos 1960, conheceu diretores do Cinema Novo.

Em uma viagem ao Nordeste, começou a filmar a história de João Pedro Teixeira, líder camponês morto por ordem de latifundiários. A produção foi interrompida após o golpe de 1964 e só foi retomada em 1981, dando origem a “Cabra Marcado para Morrer”, lançado três anos depois.

No período entre as duas filmagens, Coutinho foi roteirista de longas de ficção e integrou a equipe do “Globo Repórter”. Após “Cabra”, o cineasta passou a se dedicar aos documentários, firmando-se como um dos maiores do gênero no país. São dele obras como “Edifício Master”, sobre moradores de um prédio no Rio, e “Santo Forte”, que aborda a religiosidade dos brasileiros.

Coutinho privilegiava as entrevistas em seus documentários. Conseguia extrair depoimentos comoventes de seus entrevistados, como quando, em “Edifício Master”, um morador termina a conversa cantando “My Way”, famosa na voz de Frank Sinatra.

Em “Jogo de Cena”, mulheres contam suas histórias ao cineasta. Entre elas há algumas atrizes, e nunca sabemos ao certo se o que elas estão relatando é a história delas ou de outras mulheres.

Coutinho morreu em 2014, deixando material para um novo filme, em que entrevistava jovens sobre a vida e seus sonhos. A obra foi finalizada por João Moreira Salles, amigo de Coutinho, dando origem a “Últimas Conversas”.

Salles também tem uma obra conhecida. “Notícias de uma Guerra Particular” aborda a violência no Rio. Em 2002, filmou os bastidores da eleição de Lula, em uma dobradinha com Coutinho, que fazia “Peões”, sobre os amigos de fábrica e sindicato do então candidato. Em “No Intenso Agora”, de 2017, Salles relembra a revolta estudantil de 1968 na França para falar sobre a felicidade e nos perguntar: ela existe ou é uma sensação efêmera?

É claro que essa tradição documental não se restringe a Coutinho e Salles. Nomes como Joaquim Pedro de Andrade ("Garrincha, Alegria de um Povo") e Leon Hirszman ("ABC da Greve" e "Maioria Absoluta") contribuíram para o gênero no país. Abaixo, seleciono algumas produções importantes do Brasil.

ONDE VER
(preços pesquisados em 7 de fevereiro de 2020)

FILMES DE EDUARDO COUTINHO

Edifício Master
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O Fim e o Princípio
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As Canções 
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Jogo de Cena 
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Peões 
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Últimas Conversas
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FILMES DE OUTROS DIRETORES

Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho
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ABC da Greve, de  Leon Hirszman
Spcine Play: grátis
 
Garrincha, Alegria de um Povo,  de Joaquim Pedro de Andrade ​
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Juízo, de Maria Ramos
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Maioria Absoluta, de  Leon Hirszman
Spcine Play: grátis

Cartola, Música para os Olhos, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda 
Spcine Play: grátis

Notícias de uma Guerra Particular, de João Moreira Salles
Cinemateca*: DVD disponível para assistir na biblioteca da Cinemateca

No Intenso Agora,  de João Moreira Salles
Americanas.com.br: DVD por R$ 62,10
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Ônibus 174, de José Padilha
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Uma Noite em 67, de Ricardo Calil e Renato Terra
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Aruanda, de Linduarte Noronha
Cinemateca Brasileira: disponível no Banco de Conteúdos Culturais, no site http://www.bcc.org.br/


(*) A Cinemateca Brasileira fica no largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Mariana. A biblioteca funciona de segunda a sexta, das 9h às 17h.

Hanuska Bertoia
Hanuska Bertoia

47 anos, é formada e pós-graduada em jornalismo. Gosta de ver filmes em qualquer plataforma (TV, celular, tablet), mas não dispensa uma sala de cinema tradicional.

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