Descrição de chapéu Zona Sul

Escola está com infiltrações e salas ficam alagadas na zona sul de SP

Pais reclamam de colégio estadual no Jabaquara; governo afirma que vai reformar a unidade

Fábio Munhoz
São Paulo

A falta de manutenção está afetando a volta às aulas dos alunos da Escola Estadual Professora Flávia Vizibeli Pirró, no Jabaquara (zona sul) --os estudantes iniciaram o ano letivo nesta segunda-feira (3). O prédio do colégio público está com vazamentos e infiltrações.

Em dias de chuva, a água invade as salas e atrapalha o andamento das aulas, já que os alunos têm de ser levados para outros espaços.

O Agora teve acesso a fotos do interior da unidade, que é de período integral. No andar superior, o teto e as paredes apresentam várias marcas de de umidade, inclusive com fungos.

As imagens mostram a escola do Jabaquara nos dias de chuva. Os pisos das salas de aula e dos corredores ficam completamente encharcados, o que eleva o risco de quedas. Baldes são improvisados pelo caminho para tentar evitar que a água se espalhe ainda mais.

A cuidadora de idosos Rose Oliveira, 30 anos, mãe de um aluno de 10 anos do 5º ano do ensino fundamental, disse que o filho disse que em dias de chuva, professores colocam alunos de séries diferentes numa mesma sala que não esteja molhada.

"No ano passado, um ventilador pegou fogo depois de um curto-circuito", afirmou a mãe do garoto. 

O balconista Fernando Norberto da Silva, 35 anos, pai de uma aluna do terceiro ano, de 8 anos, afirma que a filha contou que a situação atrapalha o aprendizado. "Não há condições adequadas para o acolhimento dos alunos", afirma.

O pai ainda diz que os problemas na unidade de ensino se agravaram a partir do ano passado. 
Silva estudou na mesma escola quando criança. "Na minha época, não tinha nada disso", lembra.

Os pais de alunos ouvidos pela reportagem afirmam que, desde o ano passado, não foram feitas obras para impedir ou minimizar os vazamentos --o governo estadual, gestão João Doria (PSDB), diz que obras para reforma da escola devem começar até o fim deste primeiro semestre. 

Também afirmam que não foram informados pela direção de que há o planejamento para a realização dos serviços emergenciais.

Mau cheiro também gera reclamações

Além dos transtornos e dos riscos de queda, os vazamentos também provocam mau cheiro na Escola Estadual Professora Flávia Vizibeli Pirró. 

"As salas e os corredores têm um cheiro de mofo muito forte", diz a dona de casa Jéssica Silva, 30, que é mãe de uma aluna do segundo ano do ensino fundamental do colégio no Jabaquara.

E não é somente o odor provocado pelos fungos que gera incômodo para os estudantes. Segundo Jéssica, há dias em que a unidade é tomada por um cheiro forte de esgoto. 

"Não tem condição de manter as crianças nesse ambiente", afirma a mãe.

Jéssica acrescenta que a limpeza na da unidade escolar tem deixado a desejar. "Estou procurando uma outra escola para matricular a minha filha", diz.

"Na segunda-feira [3], tivemos que mudar de sala, porque a nossa parecia uma piscina. Chovia mais dentro da escola do que fora", afirma Ana Júlia, 9, do quarto ano do ensino médio, sobre a volta às aulas. "Isso aqui está abandonado, infelizmente", diz a mãe da menina, a dona de casa Alessandra da Silva, 45.

Resposta

A FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) --departamento responsável pela infraestrutura escolar no estado de São Paulo --vai desembolsar cerca de R$ 700 mil para reformar a Escola Estadual Professora Flavia Vizibeli Pirró, no Jabaquara, conforme disse Leandro Damy, presidente da entidade que é ligada ao governo João Doria (PSDB)

Entre os serviços que serão feitos no colégio estão reparos no telhado, forro, coberturas e calhas, de modo a eliminar os vazamentos e infiltrações.

Em entrevista ao Agora, Damy, afirmou que um engenheiro da Secretaria Estadual de Educação irá ao colégio nesta sexta-feira (7) para avaliar o estado do prédio da escola 

Ele disse que a ordem de prioridade para início de obras em cada unidade é definida conforme graus de urgência. "Porém, pelo que vimos, provavelmente será considerada prioridade 1."

Caso o engenheiro confirme a urgência para a manutenção, a pasta já está livre para licitar a obra. O início da reforma deve ocorrer entre abril e junho, dependendo do andamento da licitação, segundo explica ele, sem dar previsão de prazo para término. 

Ainda segundo Damy, não há previsão de interdição total da escola. "Porém, poderão ser feitos alguns remanejamentos", afirmou.

A reforma do colégio faz parte do projeto Escola + Bonita, anunciado no ano passado pelo governador João Doria. O programa prevê reformas em quase 1.400 escolas em todo o estado, com investimento de R$ 1,1 bilhão.

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