Descrição de chapéu Zona Sul

Centro de reabilitação na zona sul de SP muda e pacientes temem fim de serviço

Unidade que atende deficientes no Ipiranga foi transferida para o Hospital Dia

São Paulo

A Prefeitura de São Paulo, gestão Burno Covas (PSDB), decidiu realocar funcionários administrativos da Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste. Eles serão direcionados para prédio no qual funciona, atualmente, o Centro Especializado de Reabilitação tipo 4, o CER-4 Flávio Giannotti, no Ipiranga, (zona sul).

Com a mudança, funcionários e pacientes temem pela redução ou até a suspensão dos serviços oferecidos na unidade.

A mudança dos funcionários começou nesta segunda (9). A reportagem esteve no local e viu os próprios funcionários levando mesas, cadeiras e computadores para suas novas salas. Prontuários de pacientes e cadeiras ficaram espalhados pelo corredor. A mudança continuou nesta terça-feira (10) e alguns pacientes tiveram que ser atendidos no corredor.

Funcionários da Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste levando móveis para o local onde funciona o CER-4 Flávio Giannotti, no Ipiranga, zona sul - Regiane Soares/Folhapress

No CER-4 são oferecidas quatro modalidades de reabilitação: auditiva, física, intelectual e visual, além das atividades de oficina ortopédica. O atendimento começou em dezembro de 2013, quando a prefeitura fez um convênio com o Ministério da Saúde, que passou a custear os atendimentos. Para isso, foram necessárias reformas no espaço onde até então funcionava um ambulatório de especialidades médicas.

Além da acessibilidade, foram feitas adaptações em salas para terapias específicas, como audiometria, que necessita de isolamento acústico.

Para que o serviço fosse ampliado por meio deste convênio com o Ministério da Saúde, funcionários da Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste tiveram que ser transferidos para um imóvel alugado.

O que a prefeitura está fazendo agora é trazer todos esses funcionários de volta. Para isso, vão transferir todo o atendimento do CER-4 Flávio Giannotti para o Hospital Dia Flávio Giannotti, que fica no mesmo quarteirão, mas a entrada é pela rua Xavier de Almeida.

Temendo pela suspensão dos serviços, a fisioterapeuta Claudia Taccolini, que trabalhou na implementação do CER-4 em 2013, fez uma representação no Ministério Público, que abriu inquérito para investigar como será a mudança do serviço

Ministério Público investiga mudanças no serviço 

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para apurar suposta descontinuidade dos serviços oferecidos no CER-4 e a possível falta de acessibilidade na unidade. O procedimento foi instaurado na segunda-feira (2) depois que a promotora Deborah Kelly Affonso, da Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, recebeu uma representação relatando a transferência da unidade.

No documento, a promotora deu prazo de 30 dias para que a Secretaria Municipal de Saúde, da gestão Bruno Covas (PSDB), informe para onde serão transferidos os atendimentos do CER-4 e se todos esses locais têm acessibilidade.

Deborah também solicitou a relação dos pacientes atendidos, as terapias oferecidas e quantos atendimentos são feitos por mês.

A promotora também pede para o Ministério da Saúde informar em 30 dias o repasse de verba para custear os serviços do CER-4.

População elogia trabalho da unidade terapêutica 

Pacientes que fazem tratamento no CER-4 temem pela redução dos serviços oferecidos na unidade. Eles dizem que a estrutura e o atendimento prestado pelos profissionais são ótimos, e que preferem que tudo continue como está.

O auxiliar administrativo Renan Martins, 22 anos, faz fisioterapia na unidade para se recuperar de um acidente que sofreu há seis meses e quebrou o fêmur. Ele disse que ainda tem mais dois meses pela frente e está com receio de ter que suspender o tratamento.

"A sala onde eu faço a fisioterapia tem tudo, não falta nada. Acho que não deveria mudar. A fisioterapia é importante e se tiver que suspender o tratamento a minha situação pode piorar", disse.

Willian da Silva Soares, 31 anos, e Dayane Leal, 25, seguram o filho Daniel Leal Cunha, 10 meses; eles avaliam positivamente os serviços do CER - Ronny Santos/Folhapress

A dona de casa Dayane Rodrigues Leal, 25 anos, e o marido, o motorista de aplicativo William da Silva Soares Cunha, 31 anos, também disseram que o atendimento deveria continuar como está. Eles vão uma vez por semana à unidade para levar o filho Daniel, de 10 meses, que nasceu com encefalite herpética e faz fisioterapia e terapia ocupacional na unidade.

"Nós ouvimos sobre a mudança. O problema é o espaço, não sabemos se vai continuar o mesmo. Aqui é ótimo e o Daniel tem melhorado com o tratamento", afirmou Dayane.

Resposta

Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde, por meio da Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Sudeste, diz que "o CER (Centro Especializado em Reabilitação) Flavio Gianotti não será fechado".

"A administração do CER avalia a otimização dos espaços para readequar os fluxos para o pleno atendimento à população. As agendas dos profissionais e os atendimentos não sofreram alteração. E a mudança foi concretizada nesta sexta-feira (6). A CRS também iniciou a mudança de prédio para o 1° andar do Complexo Flávio Gianottti para continuar o monitoramento e a supervisão dos serviços de saúde."

A CRS Sudeste também diz que que "nesta terça-feira (10), os atendimentos do CER Flávio Giannotti ocorreram dentro da normalidade nas salas do pavimento térreo e não recebeu nenhuma reclamação referente aos serviços prestados pela unidade".

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