Cremesp denuncia irregularidades no hospital do Anhembi

Segundo conselho, local tem falta de equipamentos e problemas de infraestrutura

Fábio Munhoz
São Paulo

Após vistoria técnica, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) apresentou denúncia ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) para apurar irregularidades no funcionamento do hospital de campanha instalado no Pavilhão de Exposições do Anhembi (zona norte). O espaço é gerido pela organização social Iabas.

A denúncia não abrange a parte do hospital de campanha que funciona no Palácio de Convenções do Anhembi, que é gerida pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina). Essa ala também foi inspecionada, mas o relatório só deverá ser publicado nos próximos dias.

De acordo com relatório elaborado pelo Cremesp, o hospital de campanha apresenta situações que colocam em risco a saúde dos pacientes e dos profissionais de saúde. Entre as falhas estão falta de equipamentos, desrespeito a protocolos de atendimento e problemas de higienização e desinfecção.

O documento revela que o espaço não tem ventilação adequada e que os espaços reservados para os profissionais da saúde - como vestiários e locais para alimentação e repouso - ficam dentro de áreas contaminadas. Foram relatados casos de médicos dormindo no chão durante períodos de descanso.

A presidente do Cremesp, Irene Abramovich, afirma que faltam equipamentos no hospital de campanha, como carrinhos para atendimento de paradas cardíaca, respiradores e oxímetros. "O oxímetro mede a saturação de oxigênio no sangue. É extremamente importante, pois define se o paciente tem que ir ou não para a UTI", explica a médica. Segundo ela, o ideal é que cada paciente esteja com um oxímetro. "Não pode tirar de um e por no outro".

O conselho aponta ainda a falta de EPIs (equipamentos de proteção individual). Conforme o relatório, máscaras do tipo N95 têm sido usadas por 15 dias. O Cremesp diz que essas máscaras não podem ser utilizadas por mais de uma semana.

Em relação à higienização, o relatório cita o uso de um tomógrafo por 24 horas seguidas, sem a desinfecção adequada entre um paciente e outro. Sobre o atendimento em geral, a denúncia é de que não há um protocolo claro que determine o tempo que um alguém pode ou não esperar para ser atendido. Abramovich diz ainda que pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19 são mantidos no mesmo local de quem está como suspeito, aumentando o risco de contaminação.

O MP-SP diz que recebeu o documento elaborado pelo Cremesp e que solicitou um posicionamento à Secretaria Municipal de Saúde, gestão Bruno Covas (PSDB). Segundo a Promotoria, ainda não houve retorno.

Gerente nega irregularidades

O gerente médico da ala do hospital de campanha do Anhembi gerenciada pela Iabas, Emerson Santos da Silva, nega irregularidades no local e se diz surpreso com as denúncias do Cremesp. Ele relata que a vistoria do conselho foi feita do dia 20 de maio.

“Recebemos apontamentos dele [fiscal] com elogios e situações favoráveis. É um relatório discrepante com a realidade”, afirma Silva, que desmente haver falta de equipamentos e reforça o rigor com procedimentos de limpeza.

Questionada, a presidente do Cremesp, Irene Abramovich, manteve os apontamentos feito pela equipe do conselho. Ela acrescenta que, nos próximos dias, uma nova vistoria será feita no hospital para verificar se os problemas citados foram solucionados.

A Secretaria Municipal de Saúde da capital foi procurada para comentar a respeito das irregularidades denunciadas, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.

MP investiga hospital em Mauá

O Ministério Público de São Paulo deflagrou ontem (14) uma operação para investigar supostas irregularidades na contratação da empresa responsável pela gestão do hospital de campanha em Mauá, no ABC.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do prefeito Atila Jacomussi (PSB) e na sede da prefeitura.

A empresa responsável é a Atlantic - Transparência e Apoio à Saúde Pública, contratada por 90 dias por R$ 3,3 milhões. Segundo o MP, a companhia “tinha seu quadro diretor e administrativo interpostas pessoas desvinculadas da área da saúde”.

A prefeitura de Mauá nega irregularidades e considera a operação como “excessiva e desnecessária”. O advogado Daniel Bialski, que defende Atila, diz que o prefeito “vem sendo perseguido” e que a contratação foi regular. Ele afirma que o hospital de campanha de Mauá foi o mais barato entre os demais construídos no estado.

A Atlantic foi procurada, mas não se manifestou.

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