Descrição de chapéu Centro cracolândia

Em dois anos, polícia de SP apreendeu 3,6 toneladas de drogas na cracolândia

Policiamento na região foi reforçado um dia depois do arrastão protagonizado por frequentadores

São Paulo

Ações policiais realizadas entre 2019 e novembro deste ano resultaram na apreensão de 3,6 toneladas de drogas na região da cracolândia, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSBD). Um arrastão deixou comerciantes do local assustados, na tarde desta terça-feira (8).

Em média, é como se a polícia apreendesse 5 kg de entorpecentes por dia na região. Em termos de comparação, a quantidade de drogas retiradas da cracolândia, não especificadas por tipo, representa quase 13% das mais das 28 toneladas de entorpecentes apreendidos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal), nas estradas paulistas, entre janeiro de 2019 e outubro deste ano.

As apreensões ocorridas na cracolândia são, em sua maioria, da droga que dá nome à região do centro paulistano.

A SSP acrescentou que, em quase dois anos, também foram apreendidos na cracolândia cerca de R$ 700 mil em espécie, 15 armas de fogo, 76 facas, oito simulacros (armas de brinquedo), 503 munições e 336 balanças de precisão. Também foram presos 1.276 suspeitos.

Policiamento reforçado na região da cracolândia, no centro de SP - Zanone Fraissat/Folhapress

Comerciantes reviveram o desespero de um arrastão na cracolândia, quase um ano após um caso semelhante, em que cerca de 30 suspeitos roubaram a carga de uma van, na rua Rio Branco.

A cena se repetiu nesta terça, na mesma região, quando suspeitos roubaram motoristas e também depredaram veículos. A situação foi controlada por volta das 16h30, segundo a Polícia Militar.

A reportagem esteve no local por volta das 14h desta quarta-feira (9), constatando que o policiamento foi reforçado com policiais militares da Cavalaria e do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia).

Um comerciante de 28 anos, que mantém uma oficina mecânica perto da cracolândia, afirmou que não havia arrastões precedentes, em número de suspeitos, como o ocorrido nesta terça no centro de São Paulo.

“Sou da terceira geração da oficina, que está na região há 60 anos. Nestas décadas, nada parecido havia acontecido”, afirmou.

Ele ainda disse que costuma abaixar as portas de seu comércio, sempre que percebe concentração de usuários da cracolândia por perto. “Aqui não se pode vacilar. Se vacilar, os 'nóias' [usuários de drogas] pegam o que estiver à mão”, explicou.

O comerciante disse ainda que o policiamento é constante, mesmo antes do arrastão desta terça, mas não compreende como isso não inibe eventuais ações criminosas. “A sensação de insegurança aqui é constante”, afirmou.

Um jornaleiro, que está na região há cerca de 30 anos, afirmou garantir a segurança de seu comércio fazendo uma política de boa vizinhança com os frequentadores da cracolândia.

“Dou cigarro, dou isqueiro pra eles, quando pedem. Isso faz com que não me incomodem. Mas sei se o bicho pegar, nada impede de eles me roubarem também”, acrescentou sobre uma eventual possibilidade de um novo arrastão na área.

Outros comerciantes abordados pela reportagem preferiram não comentar sobre a violência da região.

Até esta quarta, três boletins de ocorrência relacionados ao arrastão desta terça haviam sido registrados no 77º DP (Santa Cecília), que investiga os casos.

A polícia não confirmou eventuais prisões e apreensões feitas após o arrastão desta terça.

Resposta

A SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), afirmou que o policiamento na região da cracolândia “foi reforçado.”

“As polícias paulistas atuam na região de forma constante e permanente, com o emprego de bases comunitárias móveis, equipes de rádio patrulhamento de duas e quatro rodas, Cavalaria, Baep, equipes de Força Tática e Rocam [Ronda com Motocicletas], além do uso de drones para mapear a área e traçar novas ações”, diz trecho de nota.

A Prefeitura de São Paulo, gestão Bruno Covas (PSDB), afirmou realizar abordagens multidisciplinares aos frequentadores da cracolândia.

“Com o foco em acolhimento e tratamento em saúde e para devolver autonomia aos adictos, foram criadas próximas à região duas unidades do Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica”, afirma também em trecho de nota.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana disse que a Guarda Civil Metropolitana reforçou o policiamento fixo e intensificou as rondas, com viaturas, nas Alamedas Dino Bueno, Glete, Cleveland, Barão de Piracicaba, Avenida Duque de Caxias e Praça Júlio Prestes.

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