Infecção urinária pode ser sinal de doença nos rins ou na bexiga

Alteração no xixi também pode indicar aos homens que algo não anda bem com a próstata

Gabriela Bonin
São Paulo

Envelhecer traz mudanças fisiológicas que impactam o bom funcionamento do sistema urinário. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, os mais velhos tendem a desenvolver infecções urinárias. A partir dos 65 anos, a incidência da doença é de 10% entre os homens e 20% entre as mulheres.

Uma infecção urinária pode ser o sinal de que algo não vai bem no organismo, principalmente nos rins e na bexiga. No caso dos homens, tem atenção maior com a próstata.

Segundo José Carlos Truzzi, médico urologista do Hospital Santa Catarina, é importante identificar quais mudanças são parte natural do processo de envelhecimento e quais indicam um sinal de alerta para possíveis doenças.

“É normal que haja alterações hormonais em uma mulher idosa, já que a menopausa diminui a produção de alguns hormônios. Mas a incontinência urinária, por exemplo, é uma patologia, não uma condição normal da velhice”, explica o urologista.

De acordo com ele, é grande o número de pacientes que acredita que a perda involuntária da urina seja algo normal. A incontinência urinária é muito frequente em mulheres, principalmente nas mais velhas. “Existe um tipo de incontinência que acomete mulheres mais idosas que chamamos de incontinência de esforço. Essas mulheres sofrem com a perda de xixi ao se agachar, ao carregar peso, espirrar ou tossir”, conta Willy Baccaglini, uro-oncologista do Hospital Albert Einstein.

28.02 Viva Bem - Problemas Urinários
Arte Agora

“Os principais fatores para as mulheres virem a apresentar isso são o próprio envelhecimento, que coloca a mulher na menopausa, reduz a produção de hormônios e faz com que a musculatura pélvica fique mais flácida e fraca”, explica.

Por sua vez, os homens com idade avançada têm problemas relacionados principalmente ao crescimento benigno da próstata. “O que acontece é que o crescimento da próstata começa a alterar a micção destes homens, ou seja, a forma como eles urinam, já que a próstata passa a obstruir o caminho da uretra.”

Diferente do câncer de próstata, esse crescimento faz parte do processo de envelhecimento. Segundo o uro-oncologista, é preciso acompanhar os sintomas, que podem se agravar. “É comum que um homem com mais de 50 anos levante uma vez para ir ao banheiro durante a madrugada, mas alguns passam a precisar ir cinco, seis vezes. Esse seria um dos principais sintomas”, conta Baccaglini.

Ele também cita a urgência, aquela vontade repentina e imediata de urinar, como sinal de alerta.
“Ter atenção às manifestações de sintomas é o primeiro passo”, diz Truzzi. O médico recomenda manter uma boa hidratação unida a uma alimentação saudável.

Diabetes descontrolado piora quadros urinários

A infecção urinária é uma doença comum, principalmente entre mulheres. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% das mulheres vão apresentar na vida infecção urinária leve ou grave. Em pacientes diabéticos, a doença também se faz presente.

A diabetes compromete a resposta imunológica do organismo, o que, por si só, já favorece o crescimento de bactérias que podem gerar infecção urinária. Outra característica da doença é a alta presença de glicose no sangue, que também facilita a proliferação.

De acordo com o uro-oncologista Willy Baccaglini, do Hospital Albert Einstein, a diabetes também causa lesões na enervação da bexiga, o que pode afetar a frequência e a forma de urinar. “O comprometimento neurológico da bexiga pode ser tão intenso em alguns casos que faz com que o paciente pare de urinar, o que chamamos de retenção urinária aguda”, explica.

Por esse motivo, o controle da diabetes é essencial para não agravar quadros de doenças urinárias, segundo o médico. “Doenças sistêmicas acabam comprometendo o funcionamento do trato urinário, que depende da integridade da enervação que supre a bexiga e a uretra”, complementa o médico urologista, José Carlos Truzzi.

Principais problemas urinários - Saiba mais

Infecção urinária

  • Causada por bactérias do trato urinário que migram para a bexiga e podem até alcançar os rins
  • Mais frequente entre mulheres, gera vontade urgente de urinar, dores na região da bexiga e ardência ao ir ao banheiro

Hiperplasia prostática benigna

  • Crescimento benigno da próstata, extremamente comum entre homens maiores de 50 anos
  • Traz necessidade de urinar várias vezes durante a noite, vontades repentinas e urgentes, e alterações no fluxo urinário

Incontinência urinária de esforço

  • Perda involuntária de urina devido à fraqueza dos músculos pélvicos que sustentam a bexiga
  • É mais comum entre mulheres e pode ser consequência do envelhecimento, do número de partos, da menopausa

Bexiga hiperativa

  • Condição caracterizada pela vontade repentina e urgente de urinar, já que a bexiga contrai-se sem sua vontade.
  • Pode estar associada à incontinência e faz com que a Pessoa precise acordar à noite para urinar, o que prejudica o sono.

Insuficiência renal

  • Diminuição na capacidade de filtração do sangue nos rins
  • Pode ser consequência de infecções, retenções urinárias ou do descontrole de outras doenças, como diabetes e hipertensão

Cistos renais:

  • Bolsas de água que se formam no interior dos rins e aumentam com o envelhecimento
  • Normalmente assintomáticos, podem gerar dores em casos mais graves

Sinais de alerta para buscar um médico:

  • Dores ou ardências ao urinar
  • Aumento excessivo da frequência urinária
  • Necessidade imediata de urinar
  • Alterações no fluxo urinário (jatos mais fracos ou dificuldade em manter um fluxo constante)
  • Alterações na coloração da urina
  • Necessidade excessiva de urinar durante à noite
  • Disfunções sexuais em homens (ejaculação precoce, perda de ereção)

Prevenção

  • Beba bastante água
  • Não segurar a urina
  • Evite usar as duchas vaginais
  • Mantenha a higiene íntima correta
  • Urinar logo depois da relação sexual ajuda a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato

Fontes: José Carlos Truzzi, médico urologista do Hospital Santa Catarina, e Willy Baccaglini, uro-oncologista do Hospital Albert Einstein e professor na Faculdade de Medicina do ABC

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