Trabalhadores da limpeza retomam atividades após greve por vacina contra Covid em SP

Cerca de 17 mil funcionários aderiram à paralisação nesta terça-feira (8) na cidade de São Paulo como forma de pressionar governos por vacinação

São Paulo

Funcionários da limpeza urbana da cidade de São Paulo retomaram as atividades nesta quarta-feira (9) após uma paralisação que durou 24h. A demanda da greve foi a inclusão da categoria na lista de grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19.

Por volta de 5h desta quarta-feira, as atividades de coleta de lixo e varrição foram retomadas. Segundo o Siemaco-SP, sindicato que representa os trabalhadores e trabalhadoras da limpeza urbana na capital, cerca de 17 mil funcionários aderiram ao protesto —o sindicato diz que a categoria conta com 17,5 mil trabalhadores e apenas aquelas que trabalham na coleta da saúde não aderiram à paralisação, pois já foram vacinados. A entidade também diz que 18 toneladas de lixo deixaram de ser coletadas na capital paulista.

De acordo com o sindicato, há a possibilidade de uma outra paralisação ser realizada, ainda sem data programada. O sindicato alega que não houve retorno por parte da prefeitura e que estão aguardando algum diálogo por parte das autoridades.

"Esses trabalhadores e trabalhadoras atuam incessantemente, inclusive nos momentos mais críticos desta grave crise de saúde pública, colocando suas vidas e de seus familiares em risco, oferecendo um serviço essencial para o controle da pandemia em toda a sociedade", diz nota do Siemaco-SP em conjunto com o sindicato que representa os motoristas da categoria.

Em nota, a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) afirmou que os serviços de coleta domiciliar e zeladoria urbana estão operando normalmente na cidade. "As equipes realizarão a coleta e limpeza dos setores que não foram atendidos ontem [terça] devido à paralisação. ​

Sacos de lixo na avenida Sumaré (zona leste). Paralisação dos garis e coletores, que reivindicam entrar na vacinação contra o Covid-19, que foi encerrada durante a madrugada, ainda deixou vários pontos da cidade com lixo na manhã desta quarta (9) - Zanone Fraisatt/Folhapress

Profissionais da varrição das ruas, de recolhimento de resíduos porta a porta e os motoristas de caminhões de coleta estão entre os que suspenderam as atividades.

Alguns locais de São Paulo estavam com lixo acumulado na manhã desta quarta-feira. A auxiliar contábil Letícia Rocha, 25 anos, relatou ter visto muitos sacos na rua em que reside na Penha, bairro da zona leste da capital.

"Quando eu sai de casa pela manhã, a rua estava bem suja, com bastante lixo rasgado pelos cachorros e também sacos colocados fora da calçada atrapalhando a passagem de carros", conta. Segundo ela, no horário de almoço, a rua continuava com sujeira acumulada.

"Os coletores não estão errados em fazer greve, eles deveriam ser vacinados na mesma época que o pessoal da saúde, lidam diariamente com lixo de pessoas que podem estar positivas pra Covid", disse nas redes sociais.

Os sindicatos afirmam já terem protocolado diversos pedidos por vacinação imediata desse grupo ao governo do estado, gestão João Doria (PSDB), à Prefeitura de São Paulo, gestão Ricardo Nunes (MDB), à Câmara Municipal e diretamente à Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana), mas dizem não ter obtido qualquer resposta.

Na segunda (7), o grupo foi atendido pela secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen da Silva, mas, segundo a categoria, “sem sucesso”.

Também na segunda, o governo estadual afirmou em nota que mantém constante diálogo com todos os representantes de associações, inclusive com o Siemaco-SP e STERIIISP, por meio da própria secretária de Desenvolvimento Econômico.

O governo tucano ressaltou ainda que o PEI (Programa Estadual de Imunização) segue as diretrizes do PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde, para a definição dos públicos-alvo a serem imunizados. O mesmo foi dito pela prefeitura nesta quarta.

"A Prefeitura de São Paulo ressalta que tem como foco vacinar toda a população, priorizando os setores mais vulneráveis. Nesse sentido, desde março deste ano, foram imunizados todos os coletores e profissionais que trabalham com resíduos de saúde na capital", disse a gestão Nunes, em nota.

"A Prefeitura segue dialogando com o sindicato e governo do estado para ampliar a vacinação entre estes profissionais."

Questionada sobre o impacto da paralisação, a prefeitura disse "considerar injustificável a paralisação de 100% dos serviços essenciais sem aviso prévio em uma situação de pandemia" e que o ocorrido "afetou grande parte da cidade".

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