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Moradores se unem para acabar com descarte de lixo em comunidade da zona norte de SP

Projeto de conscientização ambiental mudou o Jardim Brasília

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Mariane Ribeiro
São Paulo

Uma iniciativa de líderes comunitários junto às subprefeituras Freguesia do Ó-Brasilândia e Pirituba-Jaraguá tem conseguido acabar com a montanha de lixo que se espalhava em um ponto viciado de descarte irregular na comunidade Grito da Onça, no Jardim Brasília, na região da Brasilândia, na zona norte de São Paulo.

Duas caçambas colocadas para facilitar o descarte de lixo, porque não há coleta porta a porta na comunidade, estavam sendo usadas como ponto de descarte irregular para todo tipo de resíduo e vinha sendo motivo de transtorno para os moradores há anos.

Além disso, a situação era agravada em período de chuva, pois a região é constantemente atingida por enchentes. E o lixo acabava no córrego do Onça, que passa pela região.

“Já chegamos a buscar as lixeiras no meio da comunidade porque a água tinha levado”, afirma Paulo Rogério Bernardes, 46 anos, que é fundador da ONG Mais, morador da região e um dos envolvidos na iniciativa.

O primeiro passo para solucionar o problema veio de Marcelo Brito, 34. Ele era vizinho do ponto irregular de descarte de lixo desde que nasceu e cresceu vendo sua mãe lutar para tentar conscientizar os moradores da região. Desde 2017, ele buscava sozinho resolver o problema junto às autoridades, mas não obteve sucesso.

“Até que, no final de 2019, eu resolvi colocar um ponto final naquela situação. Criei uma página em uma rede social com o nome Lixeira Monte Alegre do Sul e comecei a trabalhar para fazer a comunidade se juntar a mim e, assim, pudéssemos lutar para resolver esse e outros problemas da região”, conta o líder comunitário.

A ação começou a ser colocada em prática em agosto deste ano, após alguns meses de tratativas e reuniões entre os envolvidos.

O subprefeito da Freguesia do Ó-Brasilândia, Sérgio Gonelli, afirma que houve a remoção das caçambas de lixo. "Tiramos da via principal e colocamos em uma área mais adequada e mais alta. Também limpamos o local e revitalizamos uma praça que fica ao lado do antigo ponto de descarte”, afirmou

Mas o ponto que tanto Brito, quanto Bernardes e Gonelli, consideram fundamental a estratégia é a ação de conscientização e educação ambiental que está sendo colocada em prática com os moradores e o envolvimento da comunidade no projeto.

“Não é só o poder público vir aqui, fazer o trabalho e ir embora, mas proporcionar que a comunidade faça parte disso. Por exemplo, eu juntei alguns moradores para a pintura do muro onde ficavam as caçambas. Quando a comunidade participa, ela passa a valorizar e cuidar daquilo que foi feito”, diz Marcelo Brito.

A conscientização ficou a cargo das empresas LimpaSP e Loga, que são responsáveis pela limpeza e coleta na região da Brasilândia.

Foi desenvolvido um cronograma de 30 dias. Uma parte da equipe permanecia fixa no ponto de descarte distribuindo panfletos e a outra percorria a comunidade de porta em porta para orientar e tirar dúvidas de moradores sobre o descarte correto do lixo.

“Já é possível ver os resultados da ação. As pessoas não jogam mais lixo naquele ponto. Esse projeto fez a diferença. Já tínhamos tentado resolver esse problema em outros momentos, mas nunca dava certo”, comemora Bernardes.

O ponto viciado de descarte irregular de lixo da rua Monte Alegre do Sul não é o único da capital. Segundo o último mapeamento realizado pela Secretaria Municipal das Subprefeituras e a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, existem outros 1.439 pontos com o mesmo problema.

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