Descrição de chapéu Opinião

Luís Marcelo Castro: Coisa de cinema

Não é por acaso que a maioria dos clubes do país disputa os Estaduais de olho em uma das 68 vagas na Série D, o quarto e último degrau do futebol nacional.

A edição deste ano, por exemplo, é coisa de cinema. Talvez nem Hollywood seja capaz de produzir filmes com tantos risos, sustos e lágrimas quanto o torneio mais democrático do Brasil.

Everson Bilau, do São Raimundo, já anotou dois gols na Série D do Brasileiro
Everson Bilau, do São Raimundo, já anotou dois gols na Série D do Brasileiro - Instagram/São Raimundo EC

O que não falta é ação e aventura. Afinal, já foram 277 gols em 102 jogos, média de 2,72, superior à das outras três divisões, assim como faltas, cartões, viradas e xingamentos da torcida.

As pitadas de comédia dão um toque especial. “Meu quarto árbitro faz a cagada toda na súmula, e eu pago o pato de lambanceiro”, reclamou um árbitro, culpando o auxiliar por ter invertido o vencedor da peleja. Já o Altos (PI) contratou o técnico Leandro Campos três meses após tê-lo demitido. O duelo entre Maringá (PR) e Avenida (RS) foi atrasado em duas horas porque a equipe de arbitragem não havia sido avisada da mudança da data da partida e saiu do Rio de Janeiro em cima da hora.

Mas o Oscar vai para os torcedores da Portuguesa (RJ), que, inconformados com os portões fechados do estádio na Ilha do Governador, alugaram um trio elétrico, de onde assistiram o empate com o Vitória (ES) e incentivaram o time. Duvido que algum romance mostre maior prova de amor.

O amor na Série D, aliás, pode beirar o pornô. O pequeno Bilau, do São Raimundo (PA), entrou com bola e tudo contra Moto Club (MA) e Atlético-RR, e saiu de cabeça erguida do gramado.

Por outro lado, a invasão de homens armados no alojamento do Corumbaense (MS) atrás de um jogador com quem haviam discutido quase provocou uma cena de faroeste, mas virou mesmo uma trama policial. Um episódio tão dramático quanto à fratura exposta sofrida por Ciro, do Moto Club (MA), após levar um carrinho digno de filme de terror.

As estrelas, claro, estão presentes. Nomes como Lúcio, Edno, Richarlyson, Acosta, Maycon Leite e Corrêa, além de Valdir Bigode, agora técnico, dão o ar da graça nos tapetes verdes da Série D.

Nem a sétima arte é páreo para o nosso futebol.

Assuntos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.